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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

quando houve nalgum tempo
o mais abraço dos ventos
não era assim tão igual ao que
hoje temos;

absoluto encontro
do encaixe,
fina flor de todo
complemento;

ver-te indo é
ir-me junto:
volta não,
não sai.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

poemasmeus 000001

tem ar e cal
o nome da amada,
e vão nela olhos
de comer o planeta por cores;
primeiro, ela tragou todo o verde
que a suavidade podia dar conta;
ao verde, deu-lhe tons de rosa, por ser
ela amiga das alegrias mais diminutas;

tam cal, tem ar,
o nome da amada tem tudo
que me faz calar;

parece ser que até as ruas
lhe fazem reverência ao passar:

tem cal, tem ar,
tem calma
tem mar,
tem eu em baile bom
e
tem, ao fundo do fundo,
o amor, em todo tom.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

tua toda fauna pura
em minha retina
se conjura;

nosso amor oxigena;
nossa delícia
não se evapora,
e na raiz do meu poema,
rega a água
sem demora.

domingo, 16 de agosto de 2009

poemasmeus 5534

eu beijaria
tua sobrancelha esquerda,
teu pulso direito,
teu sonho primeiro
e tua alegria última;

para elevar em balões de cores
o mais digno
dos teus únicos amores;

tua boca em suspensão lenta,
meu abraço absurdo de pleno,
cada rua radiante
para nossos caminhos à frente;

quero ardência sem torpor
e amanhãs livres
de adeuses.
paixão não é vexame,
ame,
inflame seu céu,
abrace em brasa,
viva, morda e arda.

sábado, 15 de agosto de 2009

poemas meus 3222887

pimenta na língua
que te inflama a alma,
sou o reverso da tua medalha
da santa que te carrega;

eu lambo teus dogmas e
lanço-te ao forno de mel
ao amor imaginário;

quero-te mais fundo
que os porões
do meu armário;

apenas deixa-te chegar:
amor bom é sem machucar.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

poemasmeus35542

sobre teu ventre girassóis
dos meus beijos forjados
em brasa e ferro romano;

meu amor é de render-me;

sobre teus ombros as tulipas
dos verões que recolhi de Sevilla,
e meus beijos edificados
por letrinhas e alfabetos;

meu amor é de querer-te;

sobre tua figura,
todo o céu dos meus vermelhos,
e a mansa calma da toscana:
arde-me o limite de toda pele;
quero-te acima dos andes.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Recadinho para a "mulher para casar".

Machista. Você, mulher para casar, é machista. Tem uma fúria uterina por ser imediatamente mãe. Quer agarrar-se a deusnossosenhor para garantir a felicidade eterna junto a seu suposto amado conveniente. Você acha que a felicidade dirige um audi e que o belvedere é a quintessência da alegria edificada.

Você não quer filhos, quer bonecos. Vai parir uma ninhada de yorkshires bípedes.

Você adora falar dos "valores e princípios", mas deve ser uma fã de filmes de sacanagem nas madrugadas perdidas com sua tv a cabo no MUTE.

Infeliz. Você é, obviamente, infeliz. E, claro, deposita em seu lindo futuro de casada todo o resumo da felicidade possível.

Você não se deixa arder. Leva a vida em banho-maria. Você se acha melhor que as demais. Você certamente diz: " Esse mundo tá perdido".

Perdida está você em seu delírio cor-de-rosa.

Provavelmente, você é corna. Sua mãe e sua avó, coitadas, foram também.

Isso porque seu discurso machista retroalimenta a cornação. Você pede luzes apagadas.

Você vive ( vive?) o presente alabando seu futuro feliz, perfeito e programado.

Você já morreu, porque abortou o amor e exigiu dele um plano frágil, não uma vivência intensa.

E vc deve amar ver o peito cabeludo do jardineiro do seu namorado, porque no fundo da sua alma cristã, há um poço de lodaçal de desejos inconfessos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

poemasmeus8873

minha língua me arde
e queima o mundo,
chicote de carne, látigo
profundo, flecha certa
contra o enorme muro do óbvio;

minha língua me escapa
e lambe sabores de rareza,
minha língua te beija
carnes e perfumes,

minha língua não reza;

assim no tão longe de tudo
minha língua é aspereza
e te apavora,
minha língua também chora
todo amor guardado dela;

minha língua não foi-se
dar com línguas de quimera;

minha língua diz do amanhã
em quando onde
minha língua doce era.

domingo, 26 de julho de 2009

poemasmeus-3328

parece ser
uma densa ventania branca,
a vida e os passos
que erro pelo mundo,
parece ser neblina
de salamanca, tardinha de lucca,
noite plena de marrakesh;

entre olhos, mãos e pulsos
vou-me espalhando em versos
pelo mundo imenso em mim;

assim, sozinho e longínquo,
recolho as palavras mais bonitas
que me são ditas e não ditas,
acolho quereres, frustro ilusões,
destituo os óbvios, arranco cores
dos dias mais duros;

se chegará a amada, que seja no simples,
no árduo,
no incomparável e no brilho.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Há dias em que o tédio me acampa. Entre uma tradução e outra, nada novo nos textos, nenhuma mensagem interessante, um deserto de idéias. E pessoas, bem..pessoas cada vez mais previsíveis...os cantores do óbvio, as atrizes do desejável comum.


Que hei de fazer eu?


Nada. A contemplação quase budista da fauna humana e sua pouco provável melhoria. Sou feliz com meu arco e flecha, vendo a obra de Goya, degustando os versos do Pessoa.

Sou feliz com um cálice de vinhodoporto.


" Mãozinha, mãozinha...bracinho, bracinho...SAI DO CHÃO!!! SAI DO CHÃO!!!" não me deixam exatamente feliz, os axeísmos da multidão contente e bonita desse brasilzão inaciano.

Assim o tempo passa e os sonhos vão se enterrando em troca de sermos mais sociáveis.


Hoje, especialmente, o flamenco será ouvido e o nonsense momentaneamente ignorado.

poemasmeus76665

eu me derramo
sobre o ventre que desenho,
me derramo em letras,
em lágrimas plenas de tudo;

é como regasse eu
o teu jardim absoluto;

eu me derramo forte inteiro
por sobre teu mar de pele mansa,

é como soubesse eu
da tua varanda imaginária
apenas simples;

eu me derramo impiedoso
sobre teu corpo de sede,
tua boca de ares,
tuas pernas de espera:

dá-me o afago de tulipas
enlaçando girassóis.

sábado, 18 de julho de 2009

poemasmeus7741

há no litoral
a montanha invertida no fundo
da costa;

é poço da saudade anunciada,
do perfume de ondas e mar
de espera;

eu seria meu salvador de versos,
mas paira sobre os pulsos belos,
muitas cores de paredes infinitas;

a moldura é morena em sangue,
o contorno é de arcos em boca plena;

há na costa o mar e pimenta
de todo o resumo
da beleza dita.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

poemasmeus-992233

vivo em um oco
minuto vastíssimo,
minhas saudades são anteriores
aos enamoramentos,
meus abraços fugidios
acariciam mais sombras e ventos
que o dorso dalguém que me acolha;

quero muito e tanto
ser o mais bemvindo
entre todos,
quero teus beijos
absurdos e doces,
que me leias sem
as letras que as outras
exigiam;

sou pequeno na terra
e enorme por dentro;

minha falta de ti
é meu império romano,
o mapammundi ao revés,
a cordilheira dos andes
de pontacabeça em meus pés;

tem essa dada por quase certeza:
onde me vês chegar
é que por lá
já passei muito antes.

terça-feira, 14 de julho de 2009

poemasmeus89065

tenho diante de mim
dois enormes convites redondos,
um é de sal, outro de mel,
duplo salto para o dentro
do fundo fundo encantamento
que se me veio em sabores;

são meus poços generosos
de perder-me nela inteira,
um é de serra, outro de mar,
dueto antimelancolia,
espelham-me a figura
diminuta na vastidão;

tenho diante de mim
dois enormes convites redondos,
um é ida, outro é volta:
ambos são
de resplandecer.

domingo, 12 de julho de 2009

poemasmeus663

quisera eu ser teu sétimo véu
ultimíssimo;

dança-me tudo dentro,
move meu ar guardado,
volta e brilha na boca
tua estrela compartilhada;

onde há tempestade de olhos
há amor de semente acolhida;

é assim no ar que vejo:
tem respiros de querência
na fonte esperada de toda
calma nossa.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

sake

línguas em profusão vermelha
densa, o universo diminuto
na vastidão imensa
das bocas mansas;

mordo tua braveza errante
para tragar muito
dos teus sonhos enterrados;

minhalma no sakê da tua,
vamos rolando abaixo
pelo chão de estrelas inusitadas;

coloca reticências ao fim do beijo,
toca a lua em meu dorso,
o nascimento do amor
é ébrio, doce e desliza;

que da tua muita falta
seja a minha
presença sentida.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

poemasmeus 7221

meus olhos engolem
tuas sombras de dentro;

vou fundo no fundo,
entro, meto, arremeto
invado;

vejo, vasculho, lanço,
esculhambo e arranco;

quando olho, vejo
e constato:

meus olhos são
olhos bem não
convidados.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

poemasmeus 8898

o beijo do reencontro
tem aquilo do mel
já conhecido;
conheço e reconheço aquela
toda boca de falta, que arde,
na latência adiada do peito
vasto;

são línguas que querem dizer-se:
amo-te ainda e agora;
come de mim tuas palavras,
leva de mim tua memória;

o desespero doce
da saudade imensa;

mas ao irmos, amor,
ao longe de nós,
vem o duro golpe;

beijar-te de novo
era apenas
buscar-me no ontem.

terça-feira, 30 de junho de 2009

poemasmeus776

palmas em meio ao negro palco,
negros olhos, pelos negros,
roupa negra, palmas, palmas,
negro silêncio, pausa,
palmas, cajón, palmas,
negra voz ácida doce, olé.

flamencamente tudo brilha.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

tua figura
emoldura
meus olhos de sal,

quisera ter
na terra toda
o campo mais vasto
de girassóis amarelissimos;

seria lá, sem tanto sol,
meu mantel e meu vinho
para a toda boca tua;

tua figura
emoldura
meus olhos de sol.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

foi-se lá.

ela foi-se lá,
para o mundo de alices,
com seus coelhos todos
e relógios
que apenas e tão só
ela entendia;

tudo era nela
uma doce confusão,
nos olhinhos de tumulto,
no cabelo adorável;

sapatos, os usava baixinhos,
"sou menina, sem pedestal",
recolhia graça da vida
e paixão dos homens,
mulheres apenas queriam
sê-la muito;

passou por mim
como as tormentas do araguaia,
inundou tudo que pôde,
afogou meus versinhos sem chance,
renovou meu verde de dentro,
e partiu, num clarão
repentino do meu céu
edificado.

saraupoéticoeeulá

uma camisa muito branca,
golas e pulsos exagerados,
a jaqueta muito preta,
sapatos italianos lustrados,
meus jeans estropeado
e a voz: em suspenso raro.
o peito arde no cabofrio,
onde o sol acampa em água
e a terra se arruína
em dunas marinas
de brisas amantes;

lá reside o par de olhos
da fome de ver o mundo,
mas é a recolhida do vale,
a rapunzel de corte curto,
que joga é versos
em vez de tranças;

pudera todos eles a leitura
do mais singelo
que dela se lança:
sempre quis foi abraço manso,
depois da tormenta doce
dos seus amores de lembrança.

vidamaria

vidamaria dos montes baixos,
que ia ao caminho
beijando o planeta,
flertando gatos
e borboletas,
atirando pedrinhas
em poças infinitas;

distribuia exuberância
ao caminhar, displicente,
as curvas em si mesma,

era quase unanimidade pictórica,
a esperada da esquina,
a desejada de muitos;

vidamaria, assim, num
átimo de tempo,
deu ao mundo a cria:
agora são duas a ser,
lindamente,
uma só
vidamaria.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

pequenininho no abandono fundo,
meu cabelo em desalinho,
o salto na noite de cima do muro,
o pé ao espinho,
a rota alterada;

mas fica de bom, o bom:
ao fim da jornada todo o amor
é vista saudosa de retrovisor
da velocíssima viagem.

terça-feira, 16 de junho de 2009

flamenco con all star

flamenco con all star,
una musa tatuada,
cinco ganas de perderte,
ocho ganas de amarte;
diez noches sin la nada,
cuatro adioses por morirte,

una flor,
por recibirte,

y la vida por delante.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Poemas twitter

No dentro esférico
Do olho da falta
Do ente saudade;

O silêncio faz alarde.

domingo, 14 de junho de 2009

poemasmeus-71198

era o quintal e estava ela
ao fundo do cerco,
entendendo-se com as formigas;

ela se lambuzava, naquelas horas mornas,
de silêncios verdes, marrons e terra;

como se houvesse nascido para uma despedida
agendada,marcada no caderno imaginário
dos atos inesperados;

houve sim um tempo em que
também os gatos eram sua companhia;

ia lá tecendo ela
a sedução dos felinos ariscos,
dominou assim a arte toda:
nunca teve pressa com os homens.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Poemasmeus-81132

a trama do ninho em chamas,
árvore mais discreta do cerrado,
quase sem ver-se do chão,
cor de terra despercebida,
apagadinha na rasteiridão;

lá, nela, entre o fogo lento
e a lua, que é estrela de espera,
brotam-se diminutas flores
saídas da casca dura;

o céu nem percebeu,
o sol castiga e apura,
mas é de cada pétala ínfima
que nasce e brilha
cada nossa
espera mútua.

domingo, 3 de maio de 2009

ela se faz
no abraço da falta,
plena de saudades
entre criaturas divinas,
de tão meninas,

as gotas de alegria;

vai-se ao mundo
esparcindo o laço
do afeto bom,
o traço da alma repleta,
sem sombra, sem cinza,
apenas e tão só
bonita e ela;

por tais vôos meus passos
não lhe alcançariam a graça:
em sendo criança de falta,
é meu sorriso ao longe
que ela um dia
abraça.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Baila tudo dela

na fila de espera

dos olhos que me ardem;

passa o tempo, morre o dia,
vão-se horas, mordo-me o pulso,

é na falta que meu afago acampa.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Se você fecha pra balanço, quem vai entrar pra balançar você?

sábado, 7 de março de 2009

O MANIFESTO HIPERCÍNICO



Burilado ao longo de anos e ânus de leituras variadas, conjecturas, exercícios filosóficos, momentos autofágicos e em dias nublados, temos, por fim, o manifesto hipercínico. O grande compêndio dos poucos sobreviventes do livre-pensamento, o testamento raríssimo da inteligência plasmada na blogosfera, tão habitada por canalhas de plantão e quadrúpedes bipedários.

Aqui lhes brindo com uma amostra daquilo que ainda será.

MANIFESTO HIPERCÍNICO

Franz Ketrupp

Ao lançarmos o Movimento Hipercínico de BH (podia ser Beverly Hills, mas é só Belo Horizonte mesmo) para o mundo, estabelecemos aqui, solenemente – ou não – nosso Manifesto Hipercínico, nossa Carta de Princípios Hipercínicos e nossa lista de Enunciados ou Proposições Hipercínicas – esta última ainda aberta a contribuições:

Aqueles um pouco mais letrados irão reconhecer facilmente nos enunciados seguintes alguns empréstimos, referências, contribuições involuntárias (também conhecidas como plágio) e citações mais ou menos literais de Nietzsche, Heidegger, Descartes, Derrida, Shakespeare, Garfield e outros potenciais hipercínicos que estão sendo aqui – à maneira dos Mórmons – recuperados postumamente pelo e para o Movimento Hipercínico.

Os menos letrados não devem perder tempo lendo o que se segue.

É de máxima importância começarmos por esclarecer que o Movimento Hipercínico despreza os seguidores de qualquer movimento. Sendo assim, caso chegue a conquistar a adesão de mais de seis seguidores, o Movimento Hipercínico irá se autodissolver imediatamente, pois nada que interesse a mais de meia dúzia de pessoas poderá jamais interessar ao hipercínico. Portanto, o eventual e improvável sucesso do Movimento Hipercínico será causa cabal e definitiva de seu fracasso e terminação.

CARTA DE PRINCÍPIOS HIPERCÍNICOS

Princípio 1º:

Nunca acredite em nada.

Princípio 2º:

Por coerência (se é que isso é importante para alguém além de um intelectual de esquerda) com o Princípio 1º, não leve a sério o Princípio 1º.

Princípio 3º:

Não há verdades, apenas perspectivas.

Princípio 4º:

Contradiga o Princípio 3º elaborando a sua própria lista de verdades indiscutíveis. Comece com algo como: “A burrice existe, e muitas vezes é letal”.

Princípio 5º:

Para qualquer afirmação, é mais importante que ela seja bela do que verdadeira.

Princípio 6º:

Só o que é belo é verdadeiro.

Princípio 7º:

Só para espezinhar o Princípio 6º, faça sua própria lista de horríveis verdades.

Princípio 8º:

Retorne ao Princípio 3º.

Princípio 9º:

Penso, logo penso que existo. Mas não tenho certeza.

Princípio 10º:

Não é importante ter certezas.

Princípio 11º:

Há dúvidas quanto à veracidade do Princípio 10º.

Princípio 12º:

Toda ação é inútil, mas é melhor que os outros não saibam disso.

Princípio 13º:

Em bom Português, ser ou não ser é uma mera questão de estar ou não estar.

Princípio 14º:

Nada garante que é melhor existir alguma coisa do que nada.

Princípio 15º:

Não temos garantias de que o Princípio 14º seja procedente.

Princípio 16º:

Todo conjunto coerente de idéias é uma prisão para o espírito livre.

Princípio 17º:

OVNIs e espíritos livres não existem.

Princípio 18º:

Quanto mais uma argumentação soa convincente, mais ela tem chances de estar errada.

Princípio 19º:

Nada mais perigoso do que alguém que acha que está certo.

Princípio 20º:

Por precaução, não esteja certo quanto ao Princípio 19º.

Princípio 21º:

A convicção sempre se baseia na falta de informação.

Princípio 22º:

Não temos informações suficientes para corroborar o Princípio 21º.

PROPOSIÇÕES HIPERCÍNICAS

  1. O Movimento Hipercínico acredita que a vida surgiu por mero acaso, e o Homem por mero azar.

  1. Para o hipercínico, a Eternidade já seria por si só um inferno.

  1. Ao contrário de seu ilustre precursor da Antiguidade, o cínico Diógenes, que com sua lanterna acesa procurava em plena luz do dia o Homem honesto, o hipercínico moderno prefere tatear às cegas no escuro em busca da mulher – que nem muito honesta precisa ser.

  1. O hipercínico veste a carapuça e admite que todos os homens são iguais. Mas justifica tal fraqueza dizendo que, já entre as mulheres, algumas são muito melhores que as outras.

  1. Para o hipercínico, não há como traçar uma linha divisória clara entre a auto-estima e a falta de autocrítica.

  1. Cultura inútil também é cultura.

  1. Toda cultura é inútil. Já pregos e martelos são muito úteis.

  1. Cultura é coisa para ignorante.

  1. Ao contrário do jovem e dinâmico executivo, que é cheio de planos e projetos, e movido a desafios, o hipercínico é inativo por natureza, e mantém a mente vazia enquanto percorre com o olhar perdido a imensidão do cosmos... Mas os resultados a longo prazo são os mesmos.

  1. Só existe sexo pago. O casamento é uma espécie de financiamento a longo prazo.

  1. Não existem restrições éticas ao sexo mutuamente consentido entre adultos; somente restrições estéticas.

  1. O abismo existencial entre duas individualidades só é transponível (e mesmo assim apenas simbolicamente) se uma das individualidades comer a outra, ou vice-versa.

  1. A vida é o que a gente faz para passar o tempo enquanto espera a próxima trepada.

  1. Para o pobre, ônibus lotado já é orgia.

  1. Não existe tal coisa como sexo na 3ª idade. Aliás, a rigor, não deveria existir terceira idade – se por mais não fosse, já pela estupidez da expressão.

  1. O hipercínico não entende por que a longevidade é tomada como índice de qualidade de vida.

  1. Viver pode arruinar a sua saúde.

  1. A vida é uma condição patológica sexualmente transmissível e fatal em 100% dos casos.

  1. Quando está tudo bem, a vida é apenas chata. Mas tragédias sempre podem acontecer.

  1. Nenhuma situação é tão ruim que não possa piorar.

  1. A esperança do hipercínico é que a morte o leve antes que algo de ruim aconteça.

  1. A esperança é a última que morre. A gente morre antes.

  1. A vida social é uma espécie de trabalho não remunerado.

  1. O egoísta é um sujeito que não pensa em mim.

  1. O pior cego é aquele que faz força para enxergar.

  1. O corajoso é um sujeito sem noção de perigo.

  1. A experiência é aquilo que nos permite reconhecer um erro toda vez que o cometemos novamente.

  1. O ‘homo ideologicus’ é uma involução do ‘homo sapiens’.

  1. A direita é o mal ocupando o lugar do mal. A esquerda é o mal ocupando o lugar do bem.

  1. A essência do poder está em se colocar no lugar de concedê-lo, e não na posição de reivindicá-lo ou disputá-lo.

  1. O marxismo é uma doença do intelecto.

  1. O marxismo era o ópio dos intelectuais, que agora preferem o verde.

  1. A política é um espetáculo de má qualidade dirigido ao vulgo, e apenas o vulgo por ela se deixa atrair.

  1. A maior vantagem de ser um político é que o sujeito já não corre mais o risco de morrer antes da hora.

  1. O único poder a que o hipercínico aspira é o da sedução. Mas, para seu azar, não há nada mais sedutor do que poder, fama e dinheiro.

  1. Não é que as pessoas tenham ou construam seu próprio conjunto de opiniões. Elas são, ao contrário, "capturadas" por conjuntos de opiniões autoreplicantes gerados pela linguagem - máquina de produzir discursos que, uma vez criados, saem à procura de uma cabeça onde habitar.

  1. O inferno são os outros. Todos os outros.

  1. Devia existir um inferno só para quem acredita nele.

  1. Se Deus existisse mesmo, ele já teria feito há muito tempo um 'recall' da Criação, dados os evidentes defeitos de design.

  1. Como destino turístico, o Vaticano é de longe o favorito do hipercínico, por ser o único museu do mundo em que as múmias andam e falam.

  1. Acontecem infinitamente mais abortos espontâneos do que provocados. Donde se conclui que a Natureza é o maior abortivo que existe. A quem o Papa deveria culpar por isso?

  1. A fé é a capacidade humana de acreditar em algo mesmo sabendo que não é verdade.

  1. Não existe gratidão. Ninguém gosta de ficar devendo nada a ninguém, muito menos gratidão.

  1. O que seria da ingratidão se não fossem os ingratos? O grande drama humano ficaria privado de um de seus elementos centrais.

  1. O conhecimento é sempre limitado. Já a ignorância é infinita.

  1. Não há título acadêmico capaz de impedir que um imbecil o continue sendo.

  1. O poliglota é o sujeito capaz de falar a mesma bobagem em várias línguas.

  1. Se você se acha um gênio, tem 99% de chance de estar enganado. O 1% restante está na margem de erro.

  1. O Movimento Hipercínico é estritamente ateu. Mas paganismo pode. Especialmente na forma de ritos sacrificiais coletivos em louvor a Eros e Vênus, com ampla participação de bacantes em êxtase.

  1. Os hipercínicos acreditam que a melhor maneira de preservar a natureza é deixar tudo se deteriorar a ponto de tornar impossível a vida humana sobre a Terra. O Planeta ficará bem melhor sem nós.

  1. Por tipicamente não fazer nada, o hipercínico está moralmente muito acima da média da humanidade, que se dedica ativamente a infernizar a vida uns dos outros.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A violência dos religiosos



É estapafúrdia e absurda a violência daqueles que tem religião. Não bastasse a sangrenta história das religiões no mundo, eles não aceitam a racionalidade de sujeitos materialistas concretos. O Prof. Dráuzio Varella, exímio cientista, é ateu. 

Ele é acusado e caluniado em inúmeros e-mails ofensivos pelo simples fato de não acreditar em seres imaginários organizados hierarquicamente em um ridículo arranjo delirante.

Um argumento racional básico consegue derrubar toda a estrutura religiosa existente. Toda. Por isso se repete aquele absurdo argumento fascistóide de que " religião não se discute". Claro, pois se discutíssemos religião, não sobraria nenhuma para ser testemunha da iluminação racional.

Em termos de probabilidades, o deus bíblico e as fadas de Cinderela são seres equivalentes. Com a diferença evidente de que as fadas de Cinderela nunca jamais sacanearam egípcios, nem mataram criancinhas nem afogaram a humanidade com algum dilúvio sádico.

Blasfemo é quem condena a racionalidade e nosso direito a usar a inteligência humana racional. Heresia é sustentar absurdos imaginários e defender a histeria desesperada do fundamentalismo em nome de um ser supostamente todo-poderoso, que, aliás, não é visto desde que inventamos os meios audiovisuais.

Deus saiu de férias na Segunda Guerra Mundial justamente quando o povo escolhido dele se ferrava.

Pois é. Antes de condenar os ateus, você, qua ainda tem a necessidade de crer em algo, seja justo: você também é ateu em relação aos deuses hindus ou às entidades do candomblé. Você é ateu com relação a todo ente imaginário que não seja o seu deus bíblico incutido. Você, crente, dá mais crédito a uma historinha montada em cima do sadismo, do racismo, da homofobia e da aniquilação da inteligência do que ao simples racionalismo inteligível. 

Você faz do seu desespero por saber que morrerá um delírio esdrúxulo para ludibriar a morte.

Portanto, você, que crê em deus ou em deuses, faça um exercício de respeito às diferenças. Não é porque seu deus imaginário não tolera as alegrias humanas que você também precisa condenar quem é feliz por não ser escravo moral de um livro absurdo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

poemasmeusk

vem como fogo ao
inflamável,
anunciação concreta
do furor de mil verões,
minha toda espera
eleva-se;
ela traz nos olhos
dois abismos de brilhar-nos,
esferas do eu no espelho,
círculos perfeitos do futuro;
o amor há
na imprudência consentida:
antes de tocá-la
já a compunha em linhas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009



Onde reina a miséria, a ignorância e a desesperança, Lula e deus são campeões do Ibope.


Mas...e se o senhor, que é ateu, estiver errado?


Clique na pergunta e veja a resposta brilhante.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

poemasmeus8855



teu refúgio nas montanhas,
meu abismo de abraço,
meu teu céu imenso aberto,
nossas bocas de horizonte,
toda a falta no espaço,
teu cansaço doce,
nossas únicas noites simples;

brindo por tudo de ti,
por cada passo não dado,
pelo peso abortado
do cotidiano infeliz;

conviver é poço cavado;

vivamos o beijo revolucionário:
teu oco em minha boca
é teu beijo eterno diário.


domingo, 25 de janeiro de 2009




a la vera,
a la vera,
colgada por encima de azules,
como si el mismo cielo
se hubiera reposado en el agua,

a la vera,
a la vera,
miles de serpientes al revés,
alegres culebrones de tinta
besándose cada esquina,

a la vera,
a la vera,
zumo de montaña
sazonado de sal y brisa plata,
amante polar de un sol que se escapa,
aqui perderse es hallarse
a la vera,
a la vera
del hondo boquerrón
de mañanas posibles,
de letras masticadas en versos
parideros, alfabeto de luces,
olas en cadenas de silencios;

mi corazón va como ballena
por mi pecho,
enorme, exagerado de óperas,
lento pero fuerte,
pleno pleno
de valparaísos que me dibujo
cada chile que me encuentro
en cada ojo de cada estrella.




o mar e mil colinas
de cores gotejantes
até muito céu,
o mar do avesso,

valparaíso tem
constelações terrenais,

quero mais a casa
não do poeta,
mas saber dos vizinhos de lá
o que deixou de escrever-se,

é maravilhosamente moribunda,
indecentemente curvilínea,
e reduz viña a uma quase
miami devassada,

debruçada sobre todas as coisas,
100 mil olhos em diagonal,valparaíso
é como amor por mulher fugidia:

perder-se nela
é morrer-se
docemente
abraçado pelo dia.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Mendoza, vinhos, calor e argentinos.


Depois de cruzar os Andes a bordo de um bus durante sete horas ( a fronteira Chile-Argentina é uma amostra da burrocracia) chegamos a Mendoza. Parece um oásis no meio de um deserto salpicado por vinhedos. Bonita a cidade? Sim, muitos parques e amplas áreas para pedestres,mas bem mais sujinha que Santiago.

Para complicar as coisas e inflacionar os preços, a quantidade de turistas europeus é enorme. Isso faz com que um jantarzinho para dois saia pelo menos por uns 70 pesos, com bebida. jantarzinho inho mesmo, em lugares meia boca.

O calor é violento. E, sim, aqui se roubam turistas, mas nada demais. Brasileiro já vem vacinado de casa.

Os motoristas sao afoitos e grosseiros, em geral. Cuidado dobrado ao atravessar as ruas.

Rapidamente começo a ter saudades do Chile.

O Chile, aliás, é outro babado.

Resumindo bastante, Mendoza é uma cidade legalzinha. A populaçao é mais conservadora e ter tatuagens aqui ainda causa espanto. Desconfio que o número de senhoritas que ainda acha que o hímem é selo de garantia de caráter, aqui, abunda.

Devem vender vibradores pacas.

Muita Igreja e terço no cotidiano das coisas. Opus Dei é dono de meia cidade.

Mas o vinho é muito bom e estamos no lucro.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Chile, primeiro mundo na América Latina

Eles conseguiram. Mesmo. Estou há 5 dias em Santiago do Chile e vejo o que vi em Madrid: organização, limpeza e mais igualdade social que jamais tinha visto antes em nosso continente.

A riqueza aqui é do coletivo, a pobreza existe mas tem certa dignidade e a soberbia particular é rara.

São 6 milhões de habitantes em Santiago, mas as ruas não são entupidas de transeuntes. O metrô funciona como relógio. Limpíssimo, pontual.

A comida é um pouco sem graça, mas logo entendi: por lei nacional, colocar excesso de sal ou tempero afeta a pressão arterial da população, portanto, coloque o sal à mesa, quem queira.

Mesmo no verão, a vista dos Andes nevados na capital chilena é absurdamente deslumbrante.

O vinho é divino. O céu é de cinema, o sol é diferente. Pessoas, muitas, lendo sempre em todos os lugares.

Viña del Mar tem brisa de ar-c0ndicionado. Um metro quadrado do Chile tem mais vergonha na cara que um hectar de solo brasileiro sem vergonha.

Ser malandro aqui, não é legal. Não se aplaude a filhadaputagem. Não se elevam odes aos idiotas populistas.

Luis Inácio jamais seria eleito vereador em Santiago.

O Chile está 122 anos à frente do Brasil.