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terça-feira, 9 de junho de 2015

Avesso

Ela é fugidia, Não se encontra, Nunca está lá; Eu a desenho e a desfaço, Ela me deixa em pedaços, Mostra-se mas não vai, Existe, mas é impossível no caminho é improvável no rumo; Desconcerta-me os versos, entorta minha querência Desasossega tudo de mim; Ela tem toda estampa Que as minhas retinas devoram.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Sou uma savana no coração; Não a tenho, nela tampouco estou, Sou, E em sendo a tudo vou A tudo saio E onde caio Ninguém já vê.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

E há quem pare um poema? Ou lido, é inevitavelmente engolido e tragado para o mais dentro do fundo. Mesmo e ainda o poema vagabundo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Poemasmeus 871129

O que me dói sao as inteligências que se vão,
As bocas que silenciam palavras boas,
A procissão de patifes rumo à reprodução,

E em pleno reino da Mediocridade
Algumas poucas cores duelam contra o cinza populista:
Nem direita, nem esquerda: chega de gente torta.

domingo, 4 de março de 2012

entrelinhas e remordimentos

os passos que vão pelo mundo
enlaçam as rotas tracejadas,
cada meu passeio é
uma peça cravejada
de olhares, intenções e sorte;

rebatem-me as ondas, nadar não me gosta
o bom é saber do mar
que traz e leva a esperança vã;

sabe, mocinha, a humanidade é aflita:
por isso diverte-se nalgum tempo que resta.

2012- início tardio.

Hoje decido voltar às letras, depois do enorme sono que usualmente instala-se no país deitado em berço esplêndido, ao som de tiroteios de ninar, entre dezembro e março.


Em minhas andanças por terras forâneas, dou-me conta de que a propaganda governística cola aqui e acolá.

O Brasil da publicidade é uma espécie de nova Dubai gigantíssima.

Equivalente ao absurdo da piada mesma.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

poemasmeus 874443-g

vienes tan harta de mundo
que se te caen las palabras
por el cuello guapo;

no entendías, quisiera besarte las letras
y limpiarte la cara de estos versos
contamidados de nostalgia, sed y agobios;

vienes tan harta de todo
y tan bonita,
tu pelo ni se entera de ná,
vienes tal como estás,
harta, triste y bella.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

poemasmeus 3340888

por debaixo da pele toda
ela arde;
que de ventos e medos treme
a alma covarde por vê-la;

vai de galope
o desejo bruto e bruto e lindo;
sua nuca tece o cabelo
da espera afligida;

que nem mil bocas
assim
me morderiam as palavras:
estar nela dentro é anterior
à escolha.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

poemasmeus 87993

Um amor de laço é deveras
uma algema de flores;
Ao prender, arrebenta-se;
Ao maniatar, perde-se no outro
e
esvai-se num sem sentido;

vira gratidão inercial
ou, mais feio,
cárcere disfarçada de abraço longo;

diz ao teu amado, se o há,
ou se de fato amado foi,
que doem teus pulsos e pequena fica
tua alma em cima
de tua nudez cedida,

muitos abraços tem lugar
porque o vazio do não saber medo traz;

melhor então, muito, saltar ao reino infinito
dos futuros acolhimentos raros;

estar com quem não nos deixa ser
é não ser com quem não já sabe estar.

domingo, 6 de março de 2011

A bermuda, o colarzão, o abadá e Schopenhauer.

Cada ano é assim...as hordas felizes de seres enebriados pelos batuques, cachaças, multidões suarentas e o intercâmbio bacteriológico de bocas afoitas por línguas sortidas invadem os destinos óbvios da festança momesca.

Claro, aqueles que sobreviveram à viagem de ida, pois as nossas estradas andam fazendo uma bruta seleção natural dos viajeiros empolgadíssimos.

Ainda há a volta, o retorno, que ceifa montes de vidas em nome do "preciso ir, é carnaval".

A coisa é assim e se reproduz velozmente, acaba virando "o certo" a ser reproduzido. No Brasil, ser feliz no carnaval virou obrigação.

Mas a ninguém ocorre qual é o preço da alegria epidêmica, da bebedeira e da combinação carro-axé-bebida-histeria.

O carnaval, senhoritos e senhoritas, também mata e mutila.

poemasmeus 344498

o tempo no ártico
é igualmente branco e estático;
há dias assim dentro do mais de mim,
onde o nada de vontade beija a boca
do nada de sentido;

natural da vida
é a espera
pelo melhor dela;
mas onde estará
se mais das vezes
é tudo que já foi?

domingo, 29 de agosto de 2010

poemasmeus 334098-b

toda a troça do canto oco
que da barba escorre pegajosa
vem dele messiânico e tosco
inaciando a plebe rude;

coloca ao serviço do espúrio
a idiota de vermelha plumagem,
o plano é simples e mal
bancos gordos e alimento para a vassalagem,

dobram-se sinos e joelhos,
abrem-sem bolsos, revelam-se cuecas,
na fauna tropicada do poder
um martelo de mentiras brilha:
é a unanimidade da idiotia
que há de morrer, de si mesma,
um dia.

sábado, 3 de julho de 2010

99876-1

yo quiero por bulerías
y amo por sevillanas;

sufro por tangos,
sueño por alegrías;

cada cante que me grita el pecho
silencia mi aire desvelado;

soy el quijote dantesco,
el payo payaso no gitano,
la bruja de los pasitos perdíos;

pero he querido más a ti
que el jesú ese a la gente.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

poemasmeus- 9888-b

comeria eu alguns girassóis
por mera alegria diminuta,
dessas que temos em manhãs repentinas;

teu cabelo guarda meu sono felicíssimo,
meu repouso em cores mares,
e meu canto lá na sala;

visitar-te a boca é abraçar
toda sevilha inteira;

olé coração bom de ser;

ter-te minha é saber-me teu.

poemasmeus 5556734-a

vasculhei teu fundo doce
procurando aquelas todas alegrias tantas,
tantas egoístas, mas tantas
que te dei;

encontrei o imenso armário vazio,
repleto de esquecimentos e coisinhas;

quis chamar-te vagabunda,
vim eu mesmo em meu socorro
solitário;

amar-te foi dilacerar-me por gosto,
rasgar-me as melhores vestes,
manada bubalina a pisotear meus sapatos melhores;

o homem quando ama,
derrama alma e companhia;
não vende a alma, empresta-a
somente;

ao diabo que te carregou

agora tua voz me fala da lonjura
absurda do improvável:
Tenta vir, meu bom, vem.

Quando já parti
ao meio
as metades que restavam de mim.

terça-feira, 29 de junho de 2010

desde lejos

desde lejos he venido,
y mis ropas rotas de tanto venir,
y mi caballo fantasma de cansancio;

desde lejos he venido
con tu nombre de sed
en mi boca de arder,

he amado más de lo permitido
que la gente esa no lo entiende,
querer es pecar por aprecio,
es callarse pal cielo,
atarse uno por adentro;

desde lejos he venido
para saber si sigues tú
con los ojos de gris de plomo,
que tu vida tan pesada y limpia
me parecía una montaña de hierro
frío;

desde lejos muy lejos he venido
a verte de nuevo herida, hermosa y vieja:
el amor que se acaba
es el que menos se entierra.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ESTAMOS DE VOLTA

Depois de um enorme intervalinho, volto a postar coisas por aqui. Também agora no Twitter: @RPaolinelli

:)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

escrituras malemolentes 01

Assim dá-se a coisa do escrever: é um deslize de letras que configuram troços bonitos. E feios, bem das vezes, duma feiúra boa que é mansa de falar.
Pensei muito já que registrar palavras é gravar beijos que mereceram sair pro mundo.
Porque tem disso..beijos merecidos e outros tantos abortados.
Ou pior, aqueles que, se pudéssemos, pediríamos devolução retroativa.