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quarta-feira, 30 de julho de 2008

frases soltas 9987


Oh, criatura, se vais a uma micareta, tende certo o destino certeiro: tua bunda será touch-screen.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

poemasmeus- quevenha




que ela venha
sem respeitar montanha alguma,
imperiosa, comandando milhões de passos,
arrastando pesos pelo caminho,
mas liberta, liberta de si mesma;

que ela venha
transtornando minhas noites de espera duvidosa,
minha credulidade frívola,
minhas horas no chão da vida;

que ela venha
e traga em si
os desenhos que eu não fiz,
as letras que desinventei,
os rumos que não tomei,
os licores do mundo
que não bebi,
as frestas da janela
numa primavera de sevilla,
los naranjos de triana;

que ela venha
sem dizer porque vem,
ela sabe que vir é ir-se de lá,
daquele lago pleno de nada,
dos 3 mil abecedários
de palavras jogadas,
do mergulho inútil
em falsas saudades tontas;

que ela venha
e reconheça
o cavaleiro que mora
no castelo prisioneiro;

que venha e inverta
todos os contos;

que venha e desadormeça-nos.

domingo, 13 de julho de 2008

poemasmeus- 1114






tens do bom do céu
o que eu, se deus,
nem imaginaria;

é de mordida de manga,
gangorra de vento,
abraço de praia boa,

em ti vai
o imenso balão
de oitenta mil suspiros:
tua curva de boca
é meu arco de alegrias.

poemasmeus-1001




quero ar de amor amor,
sacralizando meus pulsos
exaustos, a minha sempre
perseguição,
não há ódio na dor,
há abismo de si,
há hiato de mim,
há massacre de flores;

quero ar de amor amor,
entrando por poros,
narinas, sentidos e boca,
quero quero amar amor
divinizando meus
seringais de pranto,
derrubando a floresta
onde acampa o sol escuro;

vem ter em mim
o presente mais aloucado
de nossa escapatória conjunta:
onde perde-se tua alma
minha carne te acolhe
a falta.




desmantelando estruturas opacas,
o gasto coração,
o abraço desenhado,

ela desfaz a mitigação
de todos os tempos;

assim edifica na lua
horizontes impensados
em mim,

rói-se o Tempo
da fuga,
o espetáculo daninho
da falta absoluta;

quem lhe há de coroar,
coração,
é a estrela cativada
da tua agonia.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

poemasmeus- onomedarainha




resume no pulso
o que leva na toda exuberância;
sai de planetas em átimos, reconstrói,
delicia-se;
mas planta sustos e afugenta cavalheiros,
rompe armaduras, mastiga armas;
celebra ares imaginários,


e entre lanças e abraços,
por trás da escarpa franca
do sorriso unânime,
carrega muito no dentro
a ínfima caixa, diminuto arcabouço,
com a tulipa guardada;

antes que esperar a oferta,
tem ela,
a flor aberta
que ninguém lhe ofereceria.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A função do dedo mindinho

Taí uma muriçoca existencial minha. Para quê servem os dedos mindinhos? Certo, para homens porcos tirarem cera do ouvido, ok. Mas e nós, os seres de bom gosto? Desconfio que o mindinho é um dedo dos mais safados, o mais dissimulado de todos, uma espécie de dedo petista da mão. Vai como não quer nada e de repente faz algo hediondo. Moçoilas, cuidado com os mindinhos dos rapazes, principalmente se as senhoritas estão sentadinhas no banco de passageiros dianteiro do carro do caboclo. Quando pensam que a presença de espírito do camarada ativou os instintos de furor uterino, vai ver é o mindinho disfarçadão que encontrou alguma reentrância na sua roupa.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

frases soltas 566

A girafa é um dinossauro fashion., tem magreleza e estampa, além de um tremendo olhar de gazela, repare aí.

terça-feira, 1 de julho de 2008

poemasmeus 999



quando houver beijo
que seja
o encontro do Tejo com toda a água
da falta ressarcida;

que mordam-se almas
famintas de si,
o enlaço das luzes todas
no diminuto universo,
pequenino universo,
de bocas acopladas
sem espanto;

e assim indo os seres
no beijo imenso,
assim navegando
as intenções nos mares
de vontades inexplicáveis
mas tão facilmente entendidas,
o amor reconhece-se na sutileza
além de lábios;

o beijo é o começo
do final de todas as letras,
aniquila os alfabetos, desconstrói as orações,
liquidifica as palavras;

beijar é, não dizendo,
tudo ser em dois.

A guerra dos amores de tentativa.

Ama-se e separa-se, assim, nos dias de hoje, como se o outro fosse uma coisica útil por um tempo mínimo. Já me senti um mero vibrador bípede, já me senti uma carteira aberta com um adesivo de idiota na estampa, já me senti, até, um ser abandonado por deliberação cruel.

Mas a verdade é que não nos educam para o desamor. Saber amar é ótimo e nobre, mas saber viver o desamor é raro. A outra pessoa, o ex-par, tem direito ao desamor. Quando acaba a explosão de cores da paixão louca, quando não há mais espaço para afagos verdadeiros na alma nossa, o desamor acampa e reina. E cabe ao que sobra do coração diminuído, render-se. Não é derrota, é retirada alta.

Somos meras tentativas de alegria, seres em busca do abraço na rede, de momentos de varanda em domingos despretensiosos. precisamos do abraço de um igual, de um parecido, de um que entenda que a nossa solidão é a dele também.

Ser humano é ser coração que perambula pleno de boas intenções.

Sejamos grandes, sejamos inteiros, até no desamor.

É o que nos transformará, adiante, em memória boa ao que foi embora.

Frases soltas- 677

O problema do nu artístico é quando ele balança.

poemasmeus 993





é doce
sentir-se ridiculamente solto
em braços de acolhida, em mares de tempo bom,
em declarações recheadas de risos avessos
aos destemperos da vida,

conjuntamente conspirar
contra o tédio do fim,
contra a morte na esquina,
contra a sujeira no mundo
e o mundo nos homens;

é doce, doce muito é,
é calmo,
deixar-se transbordar
pela glória inexata do encontro,
o morno enlace da verdade que damos conta,
a cumplicidade do poder, amando,
ser leve na vida;

por isso tem nenem, xuxu e lovinho,
tem baby, tata, ricc e miguinho,
tem amore, bem, anjo, anjinho,

tem isso de ser bobinho e feliz
o amor mais concreto:

o coração arrebata
é com
diminutivos.