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terça-feira, 30 de junho de 2009

poemasmeus776

palmas em meio ao negro palco,
negros olhos, pelos negros,
roupa negra, palmas, palmas,
negro silêncio, pausa,
palmas, cajón, palmas,
negra voz ácida doce, olé.

flamencamente tudo brilha.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

tua figura
emoldura
meus olhos de sal,

quisera ter
na terra toda
o campo mais vasto
de girassóis amarelissimos;

seria lá, sem tanto sol,
meu mantel e meu vinho
para a toda boca tua;

tua figura
emoldura
meus olhos de sol.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

foi-se lá.

ela foi-se lá,
para o mundo de alices,
com seus coelhos todos
e relógios
que apenas e tão só
ela entendia;

tudo era nela
uma doce confusão,
nos olhinhos de tumulto,
no cabelo adorável;

sapatos, os usava baixinhos,
"sou menina, sem pedestal",
recolhia graça da vida
e paixão dos homens,
mulheres apenas queriam
sê-la muito;

passou por mim
como as tormentas do araguaia,
inundou tudo que pôde,
afogou meus versinhos sem chance,
renovou meu verde de dentro,
e partiu, num clarão
repentino do meu céu
edificado.

saraupoéticoeeulá

uma camisa muito branca,
golas e pulsos exagerados,
a jaqueta muito preta,
sapatos italianos lustrados,
meus jeans estropeado
e a voz: em suspenso raro.
o peito arde no cabofrio,
onde o sol acampa em água
e a terra se arruína
em dunas marinas
de brisas amantes;

lá reside o par de olhos
da fome de ver o mundo,
mas é a recolhida do vale,
a rapunzel de corte curto,
que joga é versos
em vez de tranças;

pudera todos eles a leitura
do mais singelo
que dela se lança:
sempre quis foi abraço manso,
depois da tormenta doce
dos seus amores de lembrança.

vidamaria

vidamaria dos montes baixos,
que ia ao caminho
beijando o planeta,
flertando gatos
e borboletas,
atirando pedrinhas
em poças infinitas;

distribuia exuberância
ao caminhar, displicente,
as curvas em si mesma,

era quase unanimidade pictórica,
a esperada da esquina,
a desejada de muitos;

vidamaria, assim, num
átimo de tempo,
deu ao mundo a cria:
agora são duas a ser,
lindamente,
uma só
vidamaria.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

pequenininho no abandono fundo,
meu cabelo em desalinho,
o salto na noite de cima do muro,
o pé ao espinho,
a rota alterada;

mas fica de bom, o bom:
ao fim da jornada todo o amor
é vista saudosa de retrovisor
da velocíssima viagem.

terça-feira, 16 de junho de 2009

flamenco con all star

flamenco con all star,
una musa tatuada,
cinco ganas de perderte,
ocho ganas de amarte;
diez noches sin la nada,
cuatro adioses por morirte,

una flor,
por recibirte,

y la vida por delante.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Poemas twitter

No dentro esférico
Do olho da falta
Do ente saudade;

O silêncio faz alarde.

domingo, 14 de junho de 2009

poemasmeus-71198

era o quintal e estava ela
ao fundo do cerco,
entendendo-se com as formigas;

ela se lambuzava, naquelas horas mornas,
de silêncios verdes, marrons e terra;

como se houvesse nascido para uma despedida
agendada,marcada no caderno imaginário
dos atos inesperados;

houve sim um tempo em que
também os gatos eram sua companhia;

ia lá tecendo ela
a sedução dos felinos ariscos,
dominou assim a arte toda:
nunca teve pressa com os homens.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Poemasmeus-81132

a trama do ninho em chamas,
árvore mais discreta do cerrado,
quase sem ver-se do chão,
cor de terra despercebida,
apagadinha na rasteiridão;

lá, nela, entre o fogo lento
e a lua, que é estrela de espera,
brotam-se diminutas flores
saídas da casca dura;

o céu nem percebeu,
o sol castiga e apura,
mas é de cada pétala ínfima
que nasce e brilha
cada nossa
espera mútua.