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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A Síndrome dos Seios Cream-Crackers

Quando, nos idos dos anos 80, havia mais possibilidades de sermos politicamente incorretos e ecologicamente aberrantes, era usual que muitas famílias tivessem em casa um papagaio. Ensinava-se ao plumado engaiolado alguns impropérios, hinos de clube de futebol e musiquinhas do estilo créu, para aqueles momentos de transbordamento e gracinhas. Quando o dito papagaio executava bem, diante das visitas, alguma gracinha aprendida, ganhava uma ração extra de sementes de girassol ou, mais das vezes, uma bolacha (hahahaha bolacha é ótimo!) cream-cracker. O biscoito cream-cracker era a premiação pela gracinha exibicionista.


Bom.


Nos mesmos anos 80, o apogeu da glória sexual dos mocinhos e mocinhas de então era a efetivação da famosíssima "mão no peitinho" da menina. Em Belo Horizonte, o lugar mais adequado para tal façanha entre a classe média era a Praça do Papa ( o sagrado sempre entesou a humanidade), onde uma fila generosa de carros com vidros embaçados garantia o comércio de pipoca, refrigerante e otras cositas más nas redondezas. Um detalhe, já naquele tempo, me incomodava bastante e ainda é comum entre os seres masculinos: a jactância do ego pela conquista do corpo da mulher.



O menino, todo cheio de si, vangloriava-se junto aos amigos de colégio que fulana tinha "liberado o peitinho" pra ele. E a menina se achava a madre Tereza de Calcutá por ter concedido tão nobre favor ao mocinho dedicadíssimo pois, afinal, ele tinha dito que precisava de uma prova d' amor.



Ora, pipocas.



Isso de a mulher colocar seu corpo como prêmio pelo bom comportamento masculino gera exatamente a machificação da coisa. E claro, gera também uma coleção de mentiras masculinas para a obtenção do favorzinho para o alívio testosterônico.



Se pensarmos bem, vejam só, quem mais curtia a coisa era a menina, que tinha umas mãos masculinas acariciando suas sensibilidades glandulares. Para o homem, peito ou ombro são quase a mesma coisa. Em termos tácteis, a textura é diferente, claro. Mas a graça estava, como siempre, no proibido.



E a coisa seguiu assim, a mulherada se colocando como o cream cracker de premiação pelas gracinhas de rito masculino. Que preguiça, né. Vamos aí assumir a verdadeira intenção das coisas. Essas derivações são fruto do brutal dogma bíblico, que por um erro de tradução do aramaico falado para o grego escrito, propagou essa estupidez chamada valor da virgindade (feminina né?).



Com tanta necessidade de justificar reputações, criamos um código hipócrita de falsas alegações para os "pecados". Isso atrasa tudo, do exercício afetivo do amor até a tranquilidade de consciência de quem faz o que faz porque é bom fazer, simplesmente.



Aliás, cabe uma perguntinha que fiz em uma aula de catequese: Se Maria era virgem mesmo, por onde Jesus saiu quando nasceu?



Ok, deve ter sido cesariana.

Um comentário:

Carol disse...

Só vc mesmo ...

Cream-Crackers ... affffffff ...

Beijinhos ... saudades de teclar com vc ...