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domingo, 27 de janeiro de 2008

Seu neto vai querer um Tata Shiva de 600 cavalos

Dar-se-á no Monasterio de Silos, Espanha, no ano 2047.

Uma família chinesa, devidamente munida de TITUNCHIS ( aparelhinho que faz tudo, desde telefonia molecular até filmagens em 3-d) compra as entradas para visitar o museu de iluminuras do mosteiro.

Reclamam entre si sobre a péssima qualidade do mandarim falado pelas senhoritas da bilheteria, mas conformam-se, afinal, esses ocidentais são assim mesmo, adoram cursos rapidinhos e basicões de mandarim, muitas vezes aprendendo cantonês dalgum professor oportunista.

E vão lá, a família Ching-Wua, espalhando seus passinhos miúdos entre as tais iluminuras medievais. Coloridíssimas, medievalmente falando, quase uma heresia. São iluminuras cicciolínicas, sim, sim, muitas cores, um abuso, uma indecência para a época, oras, a Inquisição não gostaria nada nada disso, enfim.

María del Amparo, uma das bilheteiras, sente-se orgulhosa, afinal, conseguiu receber a família de olhinhos ting-ting numa boa, sem muitas dificuldades para falar o que devia ser dito. Não entendeu porcaria nenhuma do que lhe disseram, mas e daí, nessas horas usa-se aquele truque linguístico maravilhoso de dizer entendo...entendo...veja bem... e a coisa flui, a coisa funciona, a coisa segue.

Ingressos vendidos.

Apenas um trocinho de angústia instalou-se ali, no peito de María, semanas atrás. Ela pediu a cidadania bolivovenezuelana, porque seu avô de Caracas era. Tomara que consiga, tomara, oh Deus, tomara. Ela aposta muito nisso...imagine...ela em Caracas, toda, toda, chiquetésima, poderosa, passeando pelo Boulevard Simón Bolívar, puxa, um sonho. Fora a chance de poder ter, um dia, aquele Tata Shiva de 600 cavalos, zerinho, zerinho.

Desde a anexação da Colombia, agora chamada de ´Liberación ´pelo nuevo empereur Chávez II, ordas de espanhós tentavam obter a cidadania para tentar a vida nalgum cargo da Pedevesa, com salarinho garantido e direito a casa, comida, roupa lavada e quadros de Chávez I, Bolívar e Ollanta Inácio de Silva, considerado o primeiro híbrido bolivariano gerado nos laboratórios da USP, no Brasil. Nasceu a criatura em Lima, foi batizado em Quito e, claro, recebeu sua primeira boina vermelha das mãos do próprio Diego Maradona, já provecto.

María del Amparo também tinha outra angústia, guardada lá no fundo daqueles peitões espanhóis. O desgraçado cursinho on-line da Arabicnet Express. A empresa que agenciava as excursões para Silos foi comprada pr um grupo dos Emirates, com sede em Dubai. Era melhor andar na linha, falar pelo menos o básico, vai saber, depois vem algum turbantado visitar de surpresa né, aí ferra tudo se não balbuciar ao menos um salamaleikum decente.

A vida em 2047 é uma coisa esquisitinha.

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