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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Refúgio Raro do Pensamento Crítico ( ou o abrigo das idéias sob a Protoditadura Inaciana)

A maioria silenciosa é ruidosa nos carnavais. Entre trópicos, aplaude-se o calor, o suor, o batuque, o avanço do semáforo vermelho e a obrigatoriedade da alegria edificada na histeria coletiva. A cultura popular confunde-se com o costume acomodado das massas ignaras, excluídas, subtraídas. E felizes, oh, com a ajuda de deusnossosenhor, felizes. Essa alegria incauta é a nossa maior desgraça plena. As revoltas acabam-se à margem de um copo lagoinha repleto, do estádio cheio.
"É campeão!!! É campeão!!!"
E daí?
Ao timão, o capitão orgulhoso do diploma que não tem, o comandante da platéia de aplauso fácil, o amigo de boteco que reina pelo truque do apelido. E vão lá as massas neoevangelizadas, mãos ao alto, dízimodizimadas, ao púlpito em fila, à glória da promessa. Votam. Não entendem, não compreendem, não aprendem. Repetem o gesto que lhe pediu o ungido intermediário dos céus.
E no Brasil constitucionalmente laico, figura a cruz na parede do STF.
Sapateiro, carvoeiro, torneiro. Brasileiro.
Antes de nacionalidade, profissão de extratores de madeira. Não herdamos cidadania, o que temos é boquinha extrativista.
Eis aqui o refúgio das palavras que restam e dos pensamentos que insistem em sobreviver ao reino da mediocridade ufanista.
"Então, o quê fazes aqui, oh demônio eurocêntrico? Vai-te aos alpes teus, passear-te por Toscana. Chafurda teu pessimismo gris pelas ruas de Madrid, destila tua frustração semiapátrida pelas esquinas de Lion, pelos bequinhos de Bratslava."
Não, não poderia fazê-lo.
Eu sou a mosca que caiu na sopa nacional.

Um comentário:

Anônimo disse...

É o brasil-exportação mostrando, vejam bem,o que ele tem de...pior?(Anônimo)