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sexta-feira, 25 de julho de 2008

poemasmeus- quevenha




que ela venha
sem respeitar montanha alguma,
imperiosa, comandando milhões de passos,
arrastando pesos pelo caminho,
mas liberta, liberta de si mesma;

que ela venha
transtornando minhas noites de espera duvidosa,
minha credulidade frívola,
minhas horas no chão da vida;

que ela venha
e traga em si
os desenhos que eu não fiz,
as letras que desinventei,
os rumos que não tomei,
os licores do mundo
que não bebi,
as frestas da janela
numa primavera de sevilla,
los naranjos de triana;

que ela venha
sem dizer porque vem,
ela sabe que vir é ir-se de lá,
daquele lago pleno de nada,
dos 3 mil abecedários
de palavras jogadas,
do mergulho inútil
em falsas saudades tontas;

que ela venha
e reconheça
o cavaleiro que mora
no castelo prisioneiro;

que venha e inverta
todos os contos;

que venha e desadormeça-nos.

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