Metralhadora giratória, supra-sumo da discórdia, arcabouço da heresia, exercício reflexivo do incomum.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
poemasmeus 874443-g
que se te caen las palabras
por el cuello guapo;
no entendías, quisiera besarte las letras
y limpiarte la cara de estos versos
contamidados de nostalgia, sed y agobios;
vienes tan harta de todo
y tan bonita,
tu pelo ni se entera de ná,
vienes tal como estás,
harta, triste y bella.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
poemasmeus 3340888
ela arde;
que de ventos e medos treme
a alma covarde por vê-la;
vai de galope
o desejo bruto e bruto e lindo;
sua nuca tece o cabelo
da espera afligida;
que nem mil bocas
assim
me morderiam as palavras:
estar nela dentro é anterior
à escolha.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
poemasmeus 87993
uma algema de flores;
Ao prender, arrebenta-se;
Ao maniatar, perde-se no outro
e
esvai-se num sem sentido;
vira gratidão inercial
ou, mais feio,
cárcere disfarçada de abraço longo;
diz ao teu amado, se o há,
ou se de fato amado foi,
que doem teus pulsos e pequena fica
tua alma em cima
de tua nudez cedida,
muitos abraços tem lugar
porque o vazio do não saber medo traz;
melhor então, muito, saltar ao reino infinito
dos futuros acolhimentos raros;
estar com quem não nos deixa ser
é não ser com quem não já sabe estar.
domingo, 6 de março de 2011
A bermuda, o colarzão, o abadá e Schopenhauer.
Claro, aqueles que sobreviveram à viagem de ida, pois as nossas estradas andam fazendo uma bruta seleção natural dos viajeiros empolgadíssimos.
Ainda há a volta, o retorno, que ceifa montes de vidas em nome do "preciso ir, é carnaval".
A coisa é assim e se reproduz velozmente, acaba virando "o certo" a ser reproduzido. No Brasil, ser feliz no carnaval virou obrigação.
Mas a ninguém ocorre qual é o preço da alegria epidêmica, da bebedeira e da combinação carro-axé-bebida-histeria.
O carnaval, senhoritos e senhoritas, também mata e mutila.
poemasmeus 344498
é igualmente branco e estático;
há dias assim dentro do mais de mim,
onde o nada de vontade beija a boca
do nada de sentido;
natural da vida
é a espera
pelo melhor dela;
mas onde estará
se mais das vezes
é tudo que já foi?
domingo, 29 de agosto de 2010
poemasmeus 334098-b
que da barba escorre pegajosa
vem dele messiânico e tosco
inaciando a plebe rude;
coloca ao serviço do espúrio
a idiota de vermelha plumagem,
o plano é simples e mal
bancos gordos e alimento para a vassalagem,
dobram-se sinos e joelhos,
abrem-sem bolsos, revelam-se cuecas,
na fauna tropicada do poder
um martelo de mentiras brilha:
é a unanimidade da idiotia
que há de morrer, de si mesma,
um dia.
sábado, 3 de julho de 2010
99876-1
y amo por sevillanas;
sufro por tangos,
sueño por alegrías;
cada cante que me grita el pecho
silencia mi aire desvelado;
soy el quijote dantesco,
el payo payaso no gitano,
la bruja de los pasitos perdíos;
pero he querido más a ti
que el jesú ese a la gente.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
poemasmeus- 9888-b
por mera alegria diminuta,
dessas que temos em manhãs repentinas;
teu cabelo guarda meu sono felicíssimo,
meu repouso em cores mares,
e meu canto lá na sala;
visitar-te a boca é abraçar
toda sevilha inteira;
olé coração bom de ser;
ter-te minha é saber-me teu.
poemasmeus 5556734-a
procurando aquelas todas alegrias tantas,
tantas egoístas, mas tantas
que te dei;
encontrei o imenso armário vazio,
repleto de esquecimentos e coisinhas;
quis chamar-te vagabunda,
vim eu mesmo em meu socorro
solitário;
amar-te foi dilacerar-me por gosto,
rasgar-me as melhores vestes,
manada bubalina a pisotear meus sapatos melhores;
o homem quando ama,
derrama alma e companhia;
não vende a alma, empresta-a
somente;
ao diabo que te carregou
agora tua voz me fala da lonjura
absurda do improvável:
Tenta vir, meu bom, vem.
Quando já parti
ao meio
as metades que restavam de mim.
terça-feira, 29 de junho de 2010
desde lejos
y mis ropas rotas de tanto venir,
y mi caballo fantasma de cansancio;
desde lejos he venido
con tu nombre de sed
en mi boca de arder,
he amado más de lo permitido
que la gente esa no lo entiende,
querer es pecar por aprecio,
es callarse pal cielo,
atarse uno por adentro;
desde lejos he venido
para saber si sigues tú
con los ojos de gris de plomo,
que tu vida tan pesada y limpia
me parecía una montaña de hierro
frío;
desde lejos muy lejos he venido
a verte de nuevo herida, hermosa y vieja:
el amor que se acaba
es el que menos se entierra.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
ESTAMOS DE VOLTA
:)
segunda-feira, 24 de maio de 2010
escrituras malemolentes 01
Pensei muito já que registrar palavras é gravar beijos que mereceram sair pro mundo.
Porque tem disso..beijos merecidos e outros tantos abortados.
Ou pior, aqueles que, se pudéssemos, pediríamos devolução retroativa.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
poemasmeus 8876
achega-se à letra
tua menina de olhos;
cuida bem do rumo
que tuas órbitas seguem;
ler é beber alfabetos,
embriaga-te do bem.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
a pausa
milênios de horas secas;
enorme bosque de espera,
confusões às avessas;
escrever é lapidar tempo
em linhas tesas.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
o mais abraço dos ventos
não era assim tão igual ao que
hoje temos;
absoluto encontro
do encaixe,
fina flor de todo
complemento;
ver-te indo é
ir-me junto:
volta não,
não sai.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
poemasmeus 000001
o nome da amada,
e vão nela olhos
de comer o planeta por cores;
primeiro, ela tragou todo o verde
que a suavidade podia dar conta;
ao verde, deu-lhe tons de rosa, por ser
ela amiga das alegrias mais diminutas;
tam cal, tem ar,
o nome da amada tem tudo
que me faz calar;
parece ser que até as ruas
lhe fazem reverência ao passar:
tem cal, tem ar,
tem calma
tem mar,
tem eu em baile bom
e
tem, ao fundo do fundo,
o amor, em todo tom.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
em minha retina
se conjura;
nosso amor oxigena;
nossa delícia
não se evapora,
e na raiz do meu poema,
rega a água
sem demora.
domingo, 16 de agosto de 2009
poemasmeus 5534
tua sobrancelha esquerda,
teu pulso direito,
teu sonho primeiro
e tua alegria última;
para elevar em balões de cores
o mais digno
dos teus únicos amores;
tua boca em suspensão lenta,
meu abraço absurdo de pleno,
cada rua radiante
para nossos caminhos à frente;
quero ardência sem torpor
e amanhãs livres
de adeuses.
ame,
inflame seu céu,
abrace em brasa,
viva, morda e arda.
sábado, 15 de agosto de 2009
poemas meus 3222887
que te inflama a alma,
sou o reverso da tua medalha
da santa que te carrega;
eu lambo teus dogmas e
lanço-te ao forno de mel
ao amor imaginário;
quero-te mais fundo
que os porões
do meu armário;
apenas deixa-te chegar:
amor bom é sem machucar.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
poemasmeus35542
dos meus beijos forjados
em brasa e ferro romano;
meu amor é de render-me;
sobre teus ombros as tulipas
dos verões que recolhi de Sevilla,
e meus beijos edificados
por letrinhas e alfabetos;
meu amor é de querer-te;
sobre tua figura,
todo o céu dos meus vermelhos,
e a mansa calma da toscana:
arde-me o limite de toda pele;
quero-te acima dos andes.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Recadinho para a "mulher para casar".
Você não quer filhos, quer bonecos. Vai parir uma ninhada de yorkshires bípedes.
Você adora falar dos "valores e princípios", mas deve ser uma fã de filmes de sacanagem nas madrugadas perdidas com sua tv a cabo no MUTE.
Infeliz. Você é, obviamente, infeliz. E, claro, deposita em seu lindo futuro de casada todo o resumo da felicidade possível.
Você não se deixa arder. Leva a vida em banho-maria. Você se acha melhor que as demais. Você certamente diz: " Esse mundo tá perdido".
Perdida está você em seu delírio cor-de-rosa.
Provavelmente, você é corna. Sua mãe e sua avó, coitadas, foram também.
Isso porque seu discurso machista retroalimenta a cornação. Você pede luzes apagadas.
Você vive ( vive?) o presente alabando seu futuro feliz, perfeito e programado.
Você já morreu, porque abortou o amor e exigiu dele um plano frágil, não uma vivência intensa.
E vc deve amar ver o peito cabeludo do jardineiro do seu namorado, porque no fundo da sua alma cristã, há um poço de lodaçal de desejos inconfessos.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
poemasmeus8873
e queima o mundo,
chicote de carne, látigo
profundo, flecha certa
contra o enorme muro do óbvio;
minha língua me escapa
e lambe sabores de rareza,
minha língua te beija
carnes e perfumes,
minha língua não reza;
assim no tão longe de tudo
minha língua é aspereza
e te apavora,
minha língua também chora
todo amor guardado dela;
minha língua não foi-se
dar com línguas de quimera;
minha língua diz do amanhã
em quando onde
minha língua doce era.
domingo, 26 de julho de 2009
poemasmeus-3328
uma densa ventania branca,
a vida e os passos
que erro pelo mundo,
parece ser neblina
de salamanca, tardinha de lucca,
noite plena de marrakesh;
entre olhos, mãos e pulsos
vou-me espalhando em versos
pelo mundo imenso em mim;
assim, sozinho e longínquo,
recolho as palavras mais bonitas
que me são ditas e não ditas,
acolho quereres, frustro ilusões,
destituo os óbvios, arranco cores
dos dias mais duros;
se chegará a amada, que seja no simples,
no árduo,
no incomparável e no brilho.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Que hei de fazer eu?
Nada. A contemplação quase budista da fauna humana e sua pouco provável melhoria. Sou feliz com meu arco e flecha, vendo a obra de Goya, degustando os versos do Pessoa.
Sou feliz com um cálice de vinhodoporto.
" Mãozinha, mãozinha...bracinho, bracinho...SAI DO CHÃO!!! SAI DO CHÃO!!!" não me deixam exatamente feliz, os axeísmos da multidão contente e bonita desse brasilzão inaciano.
Assim o tempo passa e os sonhos vão se enterrando em troca de sermos mais sociáveis.
Hoje, especialmente, o flamenco será ouvido e o nonsense momentaneamente ignorado.
poemasmeus76665
sobre o ventre que desenho,
me derramo em letras,
em lágrimas plenas de tudo;
é como regasse eu
o teu jardim absoluto;
eu me derramo forte inteiro
por sobre teu mar de pele mansa,
é como soubesse eu
da tua varanda imaginária
apenas simples;
eu me derramo impiedoso
sobre teu corpo de sede,
tua boca de ares,
tuas pernas de espera:
dá-me o afago de tulipas
enlaçando girassóis.
sábado, 18 de julho de 2009
poemasmeus7741
a montanha invertida no fundo
da costa;
é poço da saudade anunciada,
do perfume de ondas e mar
de espera;
eu seria meu salvador de versos,
mas paira sobre os pulsos belos,
muitas cores de paredes infinitas;
a moldura é morena em sangue,
o contorno é de arcos em boca plena;
há na costa o mar e pimenta
de todo o resumo
da beleza dita.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
poemasmeus-992233
minuto vastíssimo,
minhas saudades são anteriores
aos enamoramentos,
meus abraços fugidios
acariciam mais sombras e ventos
que o dorso dalguém que me acolha;
quero muito e tanto
ser o mais bemvindo
entre todos,
quero teus beijos
absurdos e doces,
que me leias sem
as letras que as outras
exigiam;
sou pequeno na terra
e enorme por dentro;
minha falta de ti
é meu império romano,
o mapammundi ao revés,
a cordilheira dos andes
de pontacabeça em meus pés;
tem essa dada por quase certeza:
onde me vês chegar
é que por lá
já passei muito antes.
terça-feira, 14 de julho de 2009
poemasmeus89065
dois enormes convites redondos,
um é de sal, outro de mel,
duplo salto para o dentro
do fundo fundo encantamento
que se me veio em sabores;
são meus poços generosos
de perder-me nela inteira,
um é de serra, outro de mar,
dueto antimelancolia,
espelham-me a figura
diminuta na vastidão;
tenho diante de mim
dois enormes convites redondos,
um é ida, outro é volta:
ambos são
de resplandecer.
domingo, 12 de julho de 2009
poemasmeus663
ultimíssimo;
dança-me tudo dentro,
move meu ar guardado,
volta e brilha na boca
tua estrela compartilhada;
onde há tempestade de olhos
há amor de semente acolhida;
é assim no ar que vejo:
tem respiros de querência
na fonte esperada de toda
calma nossa.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
sake
densa, o universo diminuto
na vastidão imensa
das bocas mansas;
mordo tua braveza errante
para tragar muito
dos teus sonhos enterrados;
minhalma no sakê da tua,
vamos rolando abaixo
pelo chão de estrelas inusitadas;
coloca reticências ao fim do beijo,
toca a lua em meu dorso,
o nascimento do amor
é ébrio, doce e desliza;
que da tua muita falta
seja a minha
presença sentida.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
poemasmeus 7221
tuas sombras de dentro;
vou fundo no fundo,
entro, meto, arremeto
invado;
vejo, vasculho, lanço,
esculhambo e arranco;
quando olho, vejo
e constato:
meus olhos são
olhos bem não
convidados.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
poemasmeus 8898
tem aquilo do mel
já conhecido;
conheço e reconheço aquela
toda boca de falta, que arde,
na latência adiada do peito
vasto;
são línguas que querem dizer-se:
amo-te ainda e agora;
come de mim tuas palavras,
leva de mim tua memória;
o desespero doce
da saudade imensa;
mas ao irmos, amor,
ao longe de nós,
vem o duro golpe;
beijar-te de novo
era apenas
buscar-me no ontem.
terça-feira, 30 de junho de 2009
poemasmeus776
negros olhos, pelos negros,
roupa negra, palmas, palmas,
negro silêncio, pausa,
palmas, cajón, palmas,
negra voz ácida doce, olé.
flamencamente tudo brilha.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
emoldura
meus olhos de sal,
quisera ter
na terra toda
o campo mais vasto
de girassóis amarelissimos;
seria lá, sem tanto sol,
meu mantel e meu vinho
para a toda boca tua;
tua figura
emoldura
meus olhos de sol.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
foi-se lá.
para o mundo de alices,
com seus coelhos todos
e relógios
que apenas e tão só
ela entendia;
tudo era nela
uma doce confusão,
nos olhinhos de tumulto,
no cabelo adorável;
sapatos, os usava baixinhos,
"sou menina, sem pedestal",
recolhia graça da vida
e paixão dos homens,
mulheres apenas queriam
sê-la muito;
passou por mim
como as tormentas do araguaia,
inundou tudo que pôde,
afogou meus versinhos sem chance,
renovou meu verde de dentro,
e partiu, num clarão
repentino do meu céu
edificado.
saraupoéticoeeulá
golas e pulsos exagerados,
a jaqueta muito preta,
sapatos italianos lustrados,
meus jeans estropeado
e a voz: em suspenso raro.
onde o sol acampa em água
e a terra se arruína
em dunas marinas
de brisas amantes;
lá reside o par de olhos
da fome de ver o mundo,
mas é a recolhida do vale,
a rapunzel de corte curto,
que joga é versos
em vez de tranças;
pudera todos eles a leitura
do mais singelo
que dela se lança:
sempre quis foi abraço manso,
depois da tormenta doce
dos seus amores de lembrança.
vidamaria
que ia ao caminho
beijando o planeta,
flertando gatos
e borboletas,
atirando pedrinhas
em poças infinitas;
distribuia exuberância
ao caminhar, displicente,
as curvas em si mesma,
era quase unanimidade pictórica,
a esperada da esquina,
a desejada de muitos;
vidamaria, assim, num
átimo de tempo,
deu ao mundo a cria:
agora são duas a ser,
lindamente,
uma só
vidamaria.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
meu cabelo em desalinho,
o salto na noite de cima do muro,
o pé ao espinho,
a rota alterada;
mas fica de bom, o bom:
ao fim da jornada todo o amor
é vista saudosa de retrovisor
da velocíssima viagem.
terça-feira, 16 de junho de 2009
flamenco con all star
una musa tatuada,
cinco ganas de perderte,
ocho ganas de amarte;
diez noches sin la nada,
cuatro adioses por morirte,
una flor,
por recibirte,
y la vida por delante.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Poemas twitter
Do olho da falta
Do ente saudade;
O silêncio faz alarde.
domingo, 14 de junho de 2009
poemasmeus-71198
ao fundo do cerco,
entendendo-se com as formigas;
ela se lambuzava, naquelas horas mornas,
de silêncios verdes, marrons e terra;
como se houvesse nascido para uma despedida
agendada,marcada no caderno imaginário
dos atos inesperados;
houve sim um tempo em que
também os gatos eram sua companhia;
ia lá tecendo ela
a sedução dos felinos ariscos,
dominou assim a arte toda:
nunca teve pressa com os homens.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Poemasmeus-81132
árvore mais discreta do cerrado,
quase sem ver-se do chão,
cor de terra despercebida,
apagadinha na rasteiridão;
lá, nela, entre o fogo lento
e a lua, que é estrela de espera,
brotam-se diminutas flores
saídas da casca dura;
o céu nem percebeu,
o sol castiga e apura,
mas é de cada pétala ínfima
que nasce e brilha
cada nossa
espera mútua.
domingo, 3 de maio de 2009
no abraço da falta,
plena de saudades
entre criaturas divinas,
de tão meninas,
as gotas de alegria;
vai-se ao mundo
esparcindo o laço
do afeto bom,
o traço da alma repleta,
sem sombra, sem cinza,
apenas e tão só
bonita e ela;
por tais vôos meus passos
não lhe alcançariam a graça:
em sendo criança de falta,
é meu sorriso ao longe
que ela um dia
abraça.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
na fila de espera
dos olhos que me ardem;
passa o tempo, morre o dia,
vão-se horas, mordo-me o pulso,
é na falta que meu afago acampa.
quinta-feira, 12 de março de 2009
sábado, 7 de março de 2009
O MANIFESTO HIPERCÍNICO
Burilado ao longo de anos e ânus de leituras variadas, conjecturas, exercícios filosóficos, momentos autofágicos e em dias nublados, temos, por fim, o manifesto hipercínico. O grande compêndio dos poucos sobreviventes do livre-pensamento, o testamento raríssimo da inteligência plasmada na blogosfera, tão habitada por canalhas de plantão e quadrúpedes bipedários.
Aqui lhes brindo com uma amostra daquilo que ainda será.
MANIFESTO HIPERCÍNICO
Franz Ketrupp
Ao lançarmos o Movimento Hipercínico de BH (podia ser Beverly Hills, mas é só Belo Horizonte mesmo) para o mundo, estabelecemos aqui, solenemente – ou não – nosso Manifesto Hipercínico, nossa Carta de Princípios Hipercínicos e nossa lista de Enunciados ou Proposições Hipercínicas – esta última ainda aberta a contribuições:
Aqueles um pouco mais letrados irão reconhecer facilmente nos enunciados seguintes alguns empréstimos, referências, contribuições involuntárias (também conhecidas como plágio) e citações mais ou menos literais de Nietzsche, Heidegger, Descartes, Derrida, Shakespeare, Garfield e outros potenciais hipercínicos que estão sendo aqui – à maneira dos Mórmons – recuperados postumamente pelo e para o Movimento Hipercínico.
Os menos letrados não devem perder tempo lendo o que se segue.
É de máxima importância começarmos por esclarecer que o Movimento Hipercínico despreza os seguidores de qualquer movimento. Sendo assim, caso chegue a conquistar a adesão de mais de seis seguidores, o Movimento Hipercínico irá se autodissolver imediatamente, pois nada que interesse a mais de meia dúzia de pessoas poderá jamais interessar ao hipercínico. Portanto, o eventual e improvável sucesso do Movimento Hipercínico será causa cabal e definitiva de seu fracasso e terminação.
CARTA DE PRINCÍPIOS HIPERCÍNICOS
Princípio 1º:
Nunca acredite em nada.
Princípio 2º:
Por coerência (se é que isso é importante para alguém além de um intelectual de esquerda) com o Princípio 1º, não leve a sério o Princípio 1º.
Princípio 3º:
Não há verdades, apenas perspectivas.
Princípio 4º:
Contradiga o Princípio 3º elaborando a sua própria lista de verdades indiscutíveis. Comece com algo como: “A burrice existe, e muitas vezes é letal”.
Princípio 5º:
Para qualquer afirmação, é mais importante que ela seja bela do que verdadeira.
Princípio 6º:
Só o que é belo é verdadeiro.
Princípio 7º:
Só para espezinhar o Princípio 6º, faça sua própria lista de horríveis verdades.
Princípio 8º:
Retorne ao Princípio 3º.
Princípio 9º:
Penso, logo penso que existo. Mas não tenho certeza.
Princípio 10º:
Não é importante ter certezas.
Princípio 11º:
Há dúvidas quanto à veracidade do Princípio 10º.
Princípio 12º:
Toda ação é inútil, mas é melhor que os outros não saibam disso.
Princípio 13º:
Princípio 14º:
Nada garante que é melhor existir alguma coisa do que nada.
Princípio 15º:
Não temos garantias de que o Princípio 14º seja procedente.
Princípio 16º:
Todo conjunto coerente de idéias é uma prisão para o espírito livre.
Princípio 17º:
OVNIs e espíritos livres não existem.
Princípio 18º:
Quanto mais uma argumentação soa convincente, mais ela tem chances de estar errada.
Princípio 19º:
Nada mais perigoso do que alguém que acha que está certo.
Princípio 20º:
Por precaução, não esteja certo quanto ao Princípio 19º.
Princípio 21º:
A convicção sempre se baseia na falta de informação.
Princípio 22º:
Não temos informações suficientes para corroborar o Princípio 21º.
PROPOSIÇÕES HIPERCÍNICAS
- O Movimento Hipercínico acredita que a vida surgiu por mero acaso, e o Homem por mero azar.
- Para o hipercínico, a Eternidade já seria por si só um inferno.
- Ao contrário de seu ilustre precursor da Antiguidade, o cínico Diógenes, que com sua lanterna acesa procurava em plena luz do dia o Homem honesto, o hipercínico moderno prefere tatear às cegas no escuro em busca da mulher – que nem muito honesta precisa ser.
- O hipercínico veste a carapuça e admite que todos os homens são iguais. Mas justifica tal fraqueza dizendo que, já entre as mulheres, algumas são muito melhores que as outras.
- Para o hipercínico, não há como traçar uma linha divisória clara entre a auto-estima e a falta de autocrítica.
- Cultura inútil também é cultura.
- Toda cultura é inútil. Já pregos e martelos são muito úteis.
- Cultura é coisa para ignorante.
- Ao contrário do jovem e dinâmico executivo, que é cheio de planos e projetos, e movido a desafios, o hipercínico é inativo por natureza, e mantém a mente vazia enquanto percorre com o olhar perdido a imensidão do cosmos... Mas os resultados a longo prazo são os mesmos.
- Só existe sexo pago. O casamento é uma espécie de financiamento a longo prazo.
- Não existem restrições éticas ao sexo mutuamente consentido entre adultos; somente restrições estéticas.
- O abismo existencial entre duas individualidades só é transponível (e mesmo assim apenas simbolicamente) se uma das individualidades comer a outra, ou vice-versa.
- A vida é o que a gente faz para passar o tempo enquanto espera a próxima trepada.
- Para o pobre, ônibus lotado já é orgia.
- Não existe tal coisa como sexo na 3ª idade. Aliás, a rigor, não deveria existir terceira idade – se por mais não fosse, já pela estupidez da expressão.
- O hipercínico não entende por que a longevidade é tomada como índice de qualidade de vida.
- Viver pode arruinar a sua saúde.
- A vida é uma condição patológica sexualmente transmissível e fatal em 100% dos casos.
- Quando está tudo bem, a vida é apenas chata. Mas tragédias sempre podem acontecer.
- Nenhuma situação é tão ruim que não possa piorar.
- A esperança do hipercínico é que a morte o leve antes que algo de ruim aconteça.
- A esperança é a última que morre. A gente morre antes.
- A vida social é uma espécie de trabalho não remunerado.
- O egoísta é um sujeito que não pensa em mim.
- O pior cego é aquele que faz força para enxergar.
- O corajoso é um sujeito sem noção de perigo.
- A experiência é aquilo que nos permite reconhecer um erro toda vez que o cometemos novamente.
- O ‘homo ideologicus’ é uma involução do ‘homo sapiens’.
- A direita é o mal ocupando o lugar do mal. A esquerda é o mal ocupando o lugar do bem.
- A essência do poder está em se colocar no lugar de concedê-lo, e não na posição de reivindicá-lo ou disputá-lo.
- O marxismo é uma doença do intelecto.
- O marxismo era o ópio dos intelectuais, que agora preferem o verde.
- A política é um espetáculo de má qualidade dirigido ao vulgo, e apenas o vulgo por ela se deixa atrair.
- A maior vantagem de ser um político é que o sujeito já não corre mais o risco de morrer antes da hora.
- O único poder a que o hipercínico aspira é o da sedução. Mas, para seu azar, não há nada mais sedutor do que poder, fama e dinheiro.
- Não é que as pessoas tenham ou construam seu próprio conjunto de opiniões. Elas são, ao contrário, "capturadas" por conjuntos de opiniões autoreplicantes gerados pela linguagem - máquina de produzir discursos que, uma vez criados, saem à procura de uma cabeça onde habitar.
- O inferno são os outros. Todos os outros.
- Devia existir um inferno só para quem acredita nele.
- Se Deus existisse mesmo, ele já teria feito há muito tempo um 'recall' da Criação, dados os evidentes defeitos de design.
- Como destino turístico, o Vaticano é de longe o favorito do hipercínico, por ser o único museu do mundo em que as múmias andam e falam.
- Acontecem infinitamente mais abortos espontâneos do que provocados. Donde se conclui que a Natureza é o maior abortivo que existe. A quem o Papa deveria culpar por isso?
- A fé é a capacidade humana de acreditar em algo mesmo sabendo que não é verdade.
- Não existe gratidão. Ninguém gosta de ficar devendo nada a ninguém, muito menos gratidão.
- O que seria da ingratidão se não fossem os ingratos? O grande drama humano ficaria privado de um de seus elementos centrais.
- O conhecimento é sempre limitado. Já a ignorância é infinita.
- Não há título acadêmico capaz de impedir que um imbecil o continue sendo.
- O poliglota é o sujeito capaz de falar a mesma bobagem em várias línguas.
- Se você se acha um gênio, tem 99% de chance de estar enganado. O 1% restante está na margem de erro.
- O Movimento Hipercínico é estritamente ateu. Mas paganismo pode. Especialmente na forma de ritos sacrificiais coletivos em louvor a Eros e Vênus, com ampla participação de bacantes em êxtase.
- Os hipercínicos acreditam que a melhor maneira de preservar a natureza é deixar tudo se deteriorar a ponto de tornar impossível a vida humana sobre a Terra. O Planeta ficará bem melhor sem nós.
- Por tipicamente não fazer nada, o hipercínico está moralmente muito acima da média da humanidade, que se dedica ativamente a infernizar a vida uns dos outros.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
A violência dos religiosos
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
poemasmeusk
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Onde reina a miséria, a ignorância e a desesperança, Lula e deus são campeões do Ibope.
Mas...e se o senhor, que é ateu, estiver errado?
Clique na pergunta e veja a resposta brilhante.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
poemasmeus8855
teu refúgio nas montanhas,
meu abismo de abraço,
meu teu céu imenso aberto,
nossas bocas de horizonte,
toda a falta no espaço,
teu cansaço doce,
nossas únicas noites simples;
brindo por tudo de ti,
por cada passo não dado,
pelo peso abortado
do cotidiano infeliz;
conviver é poço cavado;
vivamos o beijo revolucionário:
teu oco em minha boca
é teu beijo eterno diário.
domingo, 25 de janeiro de 2009
a la vera,
a la vera,
colgada por encima de azules,
como si el mismo cielo
se hubiera reposado en el agua,
a la vera,
a la vera,
miles de serpientes al revés,
alegres culebrones de tinta
besándose cada esquina,
a la vera,
a la vera,
zumo de montaña
sazonado de sal y brisa plata,
amante polar de un sol que se escapa,
aqui perderse es hallarse
a la vera,
a la vera
del hondo boquerrón
de mañanas posibles,
de letras masticadas en versos
parideros, alfabeto de luces,
olas en cadenas de silencios;
mi corazón va como ballena
por mi pecho,
enorme, exagerado de óperas,
lento pero fuerte,
pleno pleno
de valparaísos que me dibujo
cada chile que me encuentro
en cada ojo de cada estrella.
o mar e mil colinas
de cores gotejantes
até muito céu,
o mar do avesso,
valparaíso tem
constelações terrenais,
quero mais a casa
não do poeta,
mas saber dos vizinhos de lá
o que deixou de escrever-se,
é maravilhosamente moribunda,
indecentemente curvilínea,
e reduz viña a uma quase
miami devassada,
debruçada sobre todas as coisas,
100 mil olhos em diagonal,valparaíso
é como amor por mulher fugidia:
perder-se nela
é morrer-se
docemente
abraçado pelo dia.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Mendoza, vinhos, calor e argentinos.
Depois de cruzar os Andes a bordo de um bus durante sete horas ( a fronteira Chile-Argentina é uma amostra da burrocracia) chegamos a Mendoza. Parece um oásis no meio de um deserto salpicado por vinhedos. Bonita a cidade? Sim, muitos parques e amplas áreas para pedestres,mas bem mais sujinha que Santiago.
Para complicar as coisas e inflacionar os preços, a quantidade de turistas europeus é enorme. Isso faz com que um jantarzinho para dois saia pelo menos por uns 70 pesos, com bebida. jantarzinho inho mesmo, em lugares meia boca.
O calor é violento. E, sim, aqui se roubam turistas, mas nada demais. Brasileiro já vem vacinado de casa.
Os motoristas sao afoitos e grosseiros, em geral. Cuidado dobrado ao atravessar as ruas.
Rapidamente começo a ter saudades do Chile.
O Chile, aliás, é outro babado.
Resumindo bastante, Mendoza é uma cidade legalzinha. A populaçao é mais conservadora e ter tatuagens aqui ainda causa espanto. Desconfio que o número de senhoritas que ainda acha que o hímem é selo de garantia de caráter, aqui, abunda.
Devem vender vibradores pacas.
Muita Igreja e terço no cotidiano das coisas. Opus Dei é dono de meia cidade.
Mas o vinho é muito bom e estamos no lucro.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Chile, primeiro mundo na América Latina
A riqueza aqui é do coletivo, a pobreza existe mas tem certa dignidade e a soberbia particular é rara.
São 6 milhões de habitantes em Santiago, mas as ruas não são entupidas de transeuntes. O metrô funciona como relógio. Limpíssimo, pontual.
A comida é um pouco sem graça, mas logo entendi: por lei nacional, colocar excesso de sal ou tempero afeta a pressão arterial da população, portanto, coloque o sal à mesa, quem queira.
Mesmo no verão, a vista dos Andes nevados na capital chilena é absurdamente deslumbrante.
O vinho é divino. O céu é de cinema, o sol é diferente. Pessoas, muitas, lendo sempre em todos os lugares.
Viña del Mar tem brisa de ar-c0ndicionado. Um metro quadrado do Chile tem mais vergonha na cara que um hectar de solo brasileiro sem vergonha.
Ser malandro aqui, não é legal. Não se aplaude a filhadaputagem. Não se elevam odes aos idiotas populistas.
Luis Inácio jamais seria eleito vereador em Santiago.
O Chile está 122 anos à frente do Brasil.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Desde Santiago e Mendoza
Preciso dos vinhos de lá.
Vou postando as peripécias das andanças andinas. E colocando os dedos em várias feridas também.
Assim, pois, de lá surgirem em linhas emaranhadas de uvas, sal, sol e pedras.
Aguardem.
sábado, 20 de dezembro de 2008
frases soltas 3554
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
A Falácia Inaciana
16/12/2008 - 08h33
Inflação pelo IGP-10 fecha o ano em 10,27%, maior desde 2004, diz FGV
da Folha Online
O IGP-10 (Índice Geral de Preços - 10) teve ligeira variação positiva de 0,03%, em dezembro, uma desaceleração acentuada em relação a novembro, quando a alta foi de 0,73%. No ano, o indicador teve variação positiva de 10,27%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas). O resultado no ano atinge, assim, a maior marca desde 2004, quando a alta foi de 12,4%. No ano passado, o índice acumulou alta de 7,38%.
Pois é.
E neste país de população majoritária estúpida, o rei da hipocrisia aumenta sua popularidade.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
A Evidência que não Há
Formam-se os guetos da salvação.
Mas não publicam-se tiragens de 15 ou 20 exemplares. A não ser que provemos: somos rentáveis. Nós quem? Os poucos que escrevemos para menos pessoas ainda.
Minas Gerais é onde se nasce já fadado ao exílio. Mas exilar-se noutro mesmo Brasil é punição em dobro. Sentir saudade da terra é ruim, mas menos pior noutra terra menos triste.
O Brasil é falsamente alegre. E nossa alegria é nossa desgraça maior.
Carnaval, carnaval. E os batuques lavam almas e memórias.
Sou um francoatirador. Quem me publique que arque com as custas advocatícias. Serão ordas de medianos a me processar e multidões de seres carnavalescos, furibundas, a tentar provar-me o racismo incontido e a burguesança do meu gênio.
Queria mesmo era viver soba a asa de Olavo de Carvalho, considerando mecenatos, lá longe na Toscana, onde poucas coisas encheriam minha rasa paciência.
O coração do poeta tem mesmo que perambular. Se der, o corpo vai junto.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Cartola por bulerías
late, otra vez
de esperanzas, mi corazón
yo te quiero a ti,
tú a mí, no
enfin...
vuelvo al jardín
muy seguro que debo llorar
pues yo sé que no quieres
estar para mí;
hablo con rosas,
que bobada, las rosas no hablan
simplesmente las rosas
exhalan
el perfume que roban de ti
Ay,ay,ay...
Quise venir
Para ver en tus ojos castaños
Todas las ilusiones de antaño
Por fin.
Es negro por darle luz al alma
soy toro y flamenco,
negra mi ropa
de luces mi pensamiento,
toro y flamenco,
flota mi aire
el compás de sentimientos,
toro y flamenco
luna del albaycín,
mi amada es mi alhambra
por brillarme dentro
en mí.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
O Horrível Dilema dos Intérpretes de Conferência. Dicas para sobrevivência em cabines de "tradução simultânea"
Frequentemente me perguntam o que se precisa para ser intérprete de conferências. Calmamente eu olho para a pessoa que avidamente deseja ser eu, amanhã. E digo.
Fácil. Primeiro volte no tempo e leia Don Quijote no original aos 11 anos de idade. Depois, enamore-se do idioma espanhol. Logo, aos 17, vá para a Espanha estudar Filologia durante 5 anos e, se possível, faça um Master em Linguística Aplicada. Depois, ao voltar aos trópicos, rale o couro como professor em escolinhas de idiomas e, por fim, abra a sua própria escola devidamente consolidado como linguista. Então, depois de 12 anos lecionando a gregos, troianos e persas, tenha a sorte de ter a vocação reconhecida e ser convidado para um test-drive linguístico dentro de uma cabine com evento em pleno curso. Aí, se os deuses lhe reservarem tal sorte, você pode começar a cogitar ser intérprete de conferências.
Bem sabido é que, muitos e muitas, dormem com o inimigo. No caso dos intérpretes de conferências ( que o populacho nomeia tradutores simultâneos), a convivência com o inimigo não dá-se ( opa! ) na alcova, mas sim dentro das cabines de interpretação.
Salvo raríssimos casos, trabalhamos, os intérpretes, em duplas. Durante a realização dos eventos que demandam tradutores ( nosso dinheiro é oriundo das massas ignaras em termos linguísticos) cada intérprete do mesmo idioma faz blocos alternados de tradução oral, variando entre 15 minutos ( temas mais complexos e esgotantes) e 1 hora ( temas chinfrins e sossegados, convenções de salvadores de Focas ou encontros bienais de Onanistas Anônimos).
Bom.
Dito isso, em suma, o intérprete trabalha com quem, mais das vezes, concorre com ele diretamente. As empresas contratantes não querem saber se um intérprete odeia visceralmente o outro, se há afinidade odorística entre eles ou se a capacidade linguística de ambos é similar.
Isso faz com que muitas vezes seu companheiro ou companheira de cabine seja aquele pequeno déspota que não lhe apraz ou aquela senhorita vagabunda que não mereceria vaga nem em prostíbulo de cais de porto, por intragável.
Mas, no fim das contas, qual é a arte da interpretação? O que nos resume funcionalmente?
Ser intérprete é dominar com maestria a arte de ser fundamental, sendo invisível.
Normalmente trabalhamos confinados em uma cabine sem ventilação, a prova de som.
Se o outro intérprete lhe ataca a jugular ou lhe mete uma adaga na femural, ninguém ouvirá seus gritos, a não ser que o seu microfone esteja ligado.
Como tenho amigos e amigas que são, como eu, intérpretes, a eles ofereço a seguinte lista de dicas de sobrevivência em cabines pouco amistosas:
1- Se você vai trabalhar com quem odeia, concentre-se nos palestrantes do evento e nos coffees-breaks. os palestrantes costumam ser divertidos por excelentes ou por horrendos, e os coffes-breaks existem para travestir o que é convivência insuportável na cabine em fome conveniente nos intervalos.
2- Jamais exagere no perfume ou no desodorante. Intérpretes inimigos falarão mal de você por qualquer pretexto. Que ao menos não falem de seu sovaco ou das náuseas que você provoca neles com aquele perfume predileto.
3- Seja forçosamente simpático, mesmo que isso lhe custe boas doses de cinismo profissional. A diplomacia é uma das bóias de sobrevivência nesta selva egolátrica.
4- Nunca jamais em hipótese alguma fale mal de uma terceira pessoa dentro da cabine. Seus microfones podem estar abertos e a platéia pode ser testemunha geral.
5- Se, mesmo depois de todo este esforço, o intérprete inimigo não colaborar com você, use o último artifício cabal que lhe resta: em seu momento de pausa, peide dentro da cabine, saia e feche a porta.
Terá a grata satisfação de saber que pela próxima meia hora seu inimigo sorverá seus gases como um pobre soldado entrincheirado na primeira guerra mundial, sem escapatória possível.
Afinal, se não há soluções fáceis para ódios mútuos que ao menos sejam ódios legitimados pela prática cotidiana de um bom profissional.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Agradecimento
No mínimo um mimo o convite que foi-me feito para ser "diplomata voluntário" na cidade de Mendoza, Argentina. O grupo embarca para lá, via Santiago do Chile, em 2 de janeiro próximo. À Srta. Daniela, da Feneri, meus agradecimentos públicos. Prometo examinar com carinho a proposta e, caso eu possa de fato ir, aproveitar bastante as semanas na região vinícola andina.
sábado, 29 de novembro de 2008
o casamento do amigo
Sem citar e citando no óbvio, a maldita azeitona nas empadas.
Mas ir por querer ir a algum ou a alguém é boníssimo. Nós, deuses de nosso destino em carruagem, vamos por deliberação exata, por flecha certeira do cérebro, como se ordens dessemos ao cocheiro interior que cada ser leva em si: vamos ao festim. depressa. slapt! e simplesmente nos levam a nossa vontade e nossas capacidades motrizes.
Isso se dará brevemente, quando estiver minha pessoa e quem a mim me apraz acompanhar, em uma boda de um amigo. NAturalmente, as igrejas me divertem. Gosto do colorido e das figuras retorcidas tão cristãs e acho mesmo bonitinho o esforço que fazem com o objetivo de condoer as massas e levantar duas sombras antagônicas, a do perdão e a do castigo, embrulhadas num pacote só, está em promoção, o abraço da fé.
Mas interessa-me mais a festa e o amigo e sua escolha, estes sim, santíssima trindade.
Meus amigos são mais importantes que Jesus.
E menos previsíveis.
Enfim, lá vou eu para o degustar de quitutes e apreço do vestuário, além, claro, do sorver da inteligência passeante pelos salões.
Ao lado meu, a dinamite que adoro e venero, em pessoa, a doce e acidulante petulância da senhorita Braga, envolta naqueles panos de duquesa contemporânea, com olhinhos muito miúdos mas que vão tão binoculares pelo mundo, microscopicamente inteligentes.
O regalo, o mimo, mandar-lhe-ei ao amigo dentro de 10 anos. Faz sentido maior presentear o que, pelo tempo de cotidia, funcionou.
Assim, esta semana fecharei a boca voraz e provavelmente comprarei sapatos lindíssimos. Adoro estar consciente do exercício do ego lustroso.
Aos amigos que se casam, tudo de bom e toda a sorte dos céus.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
3221
Aí sim, admitindo o desconforto, traça-se o horizonte para milhares de pequenas alegrias, posto que a vida compensa, ao fim das contas, o baralho desastrado que fazemos dela.
Direitos Identitários Culturais
E aí?
Aí, digo eu, ora pipocas, onde estão os juristas para que defendam a Causa? Nascimento é condena prévia? Se querem ver o Tio Sam tocando tamborim, vá lá, mas não me obriguem a fazer a mesma coisa, porque acho um saco. Aliás, pensando bem, toda música que se acelera e avacalha-se pode virar samba.
Que se me apresente uma ONG dessas que amam uma graninha federal. Que se me venha um petista engajado com aquele sorrisinho de vergonha relativa ( pois é...mas todo mundo já roubava antes, uai) e me diga que posso no Brasil não querer desejar ser brasileiro. Sem constrangimentos e aqui entre nós: o melhor que temos é uma língua bonita e bastante água potável.
Frases soltas- 554
E na Oca da Aldeia Global, a dança do Pajé faz a alegria da Cacicada e seduz a massa de tapuias-tontos.
sábado, 18 de outubro de 2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
o que dela vejo
desenho
com mãos suspensas,
sem penas,
com corações diminutos
em dedos levíssimos;
toda aquela estampa
comporta
libertação;
quero as linhas do contorno,
os pulsos de passeio,
o ventre de perder-se nele;
assim, em tanto dela,
repouso o que de vida
reverbera
no átimo de mim:
tê-la em tela
é saber-me dela.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Padrão é o consenso dos medíocres.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
toco-te os limites
por entrar
em superfícies não percorridas;
teu gosto é meu
reconhecimento
de sabores queridos,
teu ventre
é meu ventre desconhecido,
teu sexo é meu encontro
com meu retorno perdido,
e é doce doce
morrer cada segundo
por viver mais vida
vivida no mundo,
tem romã, cactus, paisagem boa
e estação de trem, tem gaita,
tem ar, tem vento em paz na praia,
tem, também, amoras e tem além
café,
porque há, pairando acima
do ordinário da vida,
o extraordinário de ti.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
a teladela seria...
toda a tela guardaria
o traço dela no mundo,
entre linhas e meridianos,
entre tatos e acalantos,
sua figura fulgura céus
e encobre de luzes recatadas
cada ínfimo pigmento
que a querem prisioneira;
imóvel, na pintura, dança a dança
das alegrias sutis,
baila nas cores todo beijo
de 5 mil aquarelas em festa;
por tanto ser-lhe rara a pose
posa em recolhimento,
quase em prece,
por custar-lhe muito
ser absoluta e musa:
depois de todas as tintas tentadas
é nela que habita
minha tela perfeita de mundo.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
e bebendo
da vida
sorveu a essência
dela mesma,
e violou as regras,
e questionou os óbvios,
e rompeu 3 mil harmonias cínicas;
e tragou o tabaco
raro da coragem de ser si,
apenas si, ela mesma,
toda em si, em fá,
em lá maior,
em orquestração de solo
seu;
e assim,
sendo si, somente,
fez-se entender:
abram alas
para a inteireza
que fica, passar.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
o amor é
daqueles de esconder;
pode estar em sonetos,
em barcos,
na gravata do mickey
ou pairando no ar;
ar com amor
é perfume;
sem-rumo, sem norte,
a não ser
o abraço dela,
o amor quer sempre
ser bússola em primavera,
baile a dois na esquina da Lua,
guerra de flores nalguma rua,
confusão boa
no enorme acontece;
o amor é assim:
quando se vai
nem sobra
eu mesmo
em mim.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
poemasmeus-1002
voltar sozinho
à cama
é retroversar todo abraço;
a cantilena de que vale
mais mesmo
amor sofrido, é para a média;
quero o embrulho
espetacular
do amor necessário e junto;
voltar sozinho
é como ir-se
levando apenas metade da língua.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
poemasmeus- 855
esvazio-me amores de ontem
e bebo do ventre perfumado dela;
toda dança naquela pele
me flutua o dia,
é como era
ver de pequeno
o primeiro cavalo-marinho;
o sabor do absurdamente novo,
a cor bem-vindíssima,
a recrença no credo
perdido de mim;
assim, saída do amanhã,
ela vem recolhendo
meus sinais de anteontem,
minhas faces fotoelias,
meus keds, meu almanaquedisney,
meus aromas mirabel;
comer daqueles lábios
será
provar muito de mim,
mas com outra língua
noutro céu de boca,
meus sabores interpretados,
todas as letras em melangé;
quero a doce confusão
daqueles olhinhos de bom tumulto;
amor novo que vem,
que seja muito
tudo
seu lago em mim.
reflexão herética-parte 96
Aí recebo mails de seres dogmatizados ameaçando minha pobre e desimportante alma com a fúria divina e de novo me pergunto, pô, mas deus não perdoa tudo de todo mundo? Fúria divina? Cacilda, eles não afinam o discurso. Fúria divina ou perdão incondicional? Seja como seja, vejo nas religiões um antro de patifes alimentados por uma multidão credulamente desesperada e obviamente pouco instruída, mesmo os falaciosos teólogos doutos e versados sobre o Verbo. Quem fez o verbo, aliás, fomos nós, e com o verbo CRIAR geramos deus, que nos deve esse imenso favorzão.
Então, antes de enviar um mail sobre como serei tostado no inferno (lugarzinho aliás onde a pretensa onipresença de deus não é omni coisica alguma), pensem em quem nasceu primeiro, as palavras ou a personagem?
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
poemasmeus- 99999
antes dela,
o prenúncio de todo
o ar
que ela, em sua chegada,
arrebataria;
o grande amor em íssimos
se anuncia:
façamos o silêncio solene,
recolham as vestes todas das janelas,
que as ruas sejam ladrilhadas de espera boa,
as paredes pintadas com a cor nova
de saudade enorme e finalmente
descansada;
ao chegar, amor amor,
plenifique tudo nosso.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
poemasmeus- 8775
Tulipas em uma das mãos,
Tua nuca e cabelos n´outra;
Meu amor come tua boca
Soprando todas as letras lânguidas
Para dentro do teu fundo,
Para o fundo mais de ti;
Meu amor arde tua pele,
Mastiga tua solidão,
Brindando tuas cores de vida;
Minha força é toda a delicadeza
Que mantêm a Terra à Lua;
Como meu errante coração
Orbita
Tua poesia nua,
Faço amor para abraçar mais dentro
Teu todo encantamento,
Que meu verso, tulipantemente,
Por ti flutua.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
A procissão.
domingo, 17 de agosto de 2008
Para você
sábado, 16 de agosto de 2008
Frases soltas- 886
O homem jura amor eterno para ter a bunda imediata.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
poemasmeus 008
não saberia desenhar-te
nalgum planeta de cores desconhecidas,
nem poderia repousar-te
nalgum canto
interessantíssimo do mundo;
és a inquisidora dúvida,
deliciosamente,
convencida e lívida;
mordo-me os minutos,
minutos são
minhas horas de pena,
apressa-me o pulso
nesta vida pequena,
senhorita, pequena senhorita
resgata o poeta , respira meu ar,
come da boca que grita;
se não posso-te hoje
aposso-me da escrita,
minha agonia é derramada
por cima de flores secas;
quero tuas dores miúdas
e teu armário imenso,
perder-me em tuas roupas
seria meu delírio imediato;
palavras em desencontros
tu és
a minha avessa;
aparição que amo e beijo
em minhas mentes inquietas;
pousa-te em mim,
adona-te
de minha lentidão
às pressas.
poemasmeus 003
coma um enorme algodão doce,
saia do regime,
redima-se a si mesma, morra de rir,
veja mais girafas de verdade e menos pela televisão,
pule corda, falte hoje à academia, compre aquele sapato caro
e ande descalça no gramado,
respire fundo
mas não deixe nunca
de sentir os perfumes sutis;
enlouqueça de brincadeira, faça caretas pro espelho,
beba um milkshake proibido, morra de saudade
daquele amor lá longe, seja brega por dez minutos,
ouça mais Chavela Vargas, quebre um copo de requeijão na
parede da copa;
e depois de algumas travessuras, travesseiro,
bem fofo e cheirosinho,
que seu encantamento é construído
por suas pequenas alegrias.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
poemasmeus 996
é o encontro
entre a fúria de ondas
e a enorme festa de mil
cores em choque velocíssimo;
leva a vida em mosaicos
de rostos bem-vindos,
amassa saudades,
sua fuga é em lá maior;
tem, no bem,
nenhum mal;
simples:
encanta por não
desejar tanto
encantar tudo muito
a qualquer sempre
quanto.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
frases soltas 9987
Oh, criatura, se vais a uma micareta, tende certo o destino certeiro: tua bunda será touch-screen.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
poemasmeus- quevenha
que ela venha
sem respeitar montanha alguma,
imperiosa, comandando milhões de passos,
arrastando pesos pelo caminho,
mas liberta, liberta de si mesma;
que ela venha
transtornando minhas noites de espera duvidosa,
minha credulidade frívola,
minhas horas no chão da vida;
que ela venha
e traga em si
os desenhos que eu não fiz,
as letras que desinventei,
os rumos que não tomei,
os licores do mundo
que não bebi,
as frestas da janela
numa primavera de sevilla,
los naranjos de triana;
que ela venha
sem dizer porque vem,
ela sabe que vir é ir-se de lá,
daquele lago pleno de nada,
dos 3 mil abecedários
de palavras jogadas,
do mergulho inútil
em falsas saudades tontas;
que ela venha
e reconheça
o cavaleiro que mora
no castelo prisioneiro;
que venha e inverta
todos os contos;
que venha e desadormeça-nos.
domingo, 13 de julho de 2008
poemasmeus- 1114
tens do bom do céu
o que eu, se deus,
nem imaginaria;
é de mordida de manga,
gangorra de vento,
abraço de praia boa,
em ti vai
o imenso balão
de oitenta mil suspiros:
tua curva de boca
é meu arco de alegrias.
poemasmeus-1001
quero ar de amor amor,
sacralizando meus pulsos
exaustos, a minha sempre
perseguição,
não há ódio na dor,
há abismo de si,
há hiato de mim,
há massacre de flores;
quero ar de amor amor,
entrando por poros,
narinas, sentidos e boca,
quero quero amar amor
divinizando meus
seringais de pranto,
derrubando a floresta
onde acampa o sol escuro;
vem ter em mim
o presente mais aloucado
de nossa escapatória conjunta:
onde perde-se tua alma
minha carne te acolhe
a falta.
desmantelando estruturas opacas,
o gasto coração,
o abraço desenhado,
ela desfaz a mitigação
de todos os tempos;
assim edifica na lua
horizontes impensados
em mim,
rói-se o Tempo
da fuga,
o espetáculo daninho
da falta absoluta;
quem lhe há de coroar,
coração,
é a estrela cativada
da tua agonia.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
poemasmeus- onomedarainha
resume no pulso
o que leva na toda exuberância;
sai de planetas em átimos, reconstrói,
delicia-se;
mas planta sustos e afugenta cavalheiros,
rompe armaduras, mastiga armas;
celebra ares imaginários,
e entre lanças e abraços,
por trás da escarpa franca
do sorriso unânime,
carrega muito no dentro
a ínfima caixa, diminuto arcabouço,
com a tulipa guardada;
antes que esperar a oferta,
tem ela,
a flor aberta
que ninguém lhe ofereceria.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
A função do dedo mindinho
quinta-feira, 3 de julho de 2008
frases soltas 566
terça-feira, 1 de julho de 2008
poemasmeus 999
quando houver beijo
que seja
o encontro do Tejo com toda a água
da falta ressarcida;
que mordam-se almas
famintas de si,
o enlaço das luzes todas
no diminuto universo,
pequenino universo,
de bocas acopladas
sem espanto;
e assim indo os seres
no beijo imenso,
assim navegando
as intenções nos mares
de vontades inexplicáveis
mas tão facilmente entendidas,
o amor reconhece-se na sutileza
além de lábios;
o beijo é o começo
do final de todas as letras,
aniquila os alfabetos, desconstrói as orações,
liquidifica as palavras;
beijar é, não dizendo,
tudo ser em dois.
A guerra dos amores de tentativa.
Mas a verdade é que não nos educam para o desamor. Saber amar é ótimo e nobre, mas saber viver o desamor é raro. A outra pessoa, o ex-par, tem direito ao desamor. Quando acaba a explosão de cores da paixão louca, quando não há mais espaço para afagos verdadeiros na alma nossa, o desamor acampa e reina. E cabe ao que sobra do coração diminuído, render-se. Não é derrota, é retirada alta.
Somos meras tentativas de alegria, seres em busca do abraço na rede, de momentos de varanda em domingos despretensiosos. precisamos do abraço de um igual, de um parecido, de um que entenda que a nossa solidão é a dele também.
Ser humano é ser coração que perambula pleno de boas intenções.
Sejamos grandes, sejamos inteiros, até no desamor.
É o que nos transformará, adiante, em memória boa ao que foi embora.
Frases soltas- 677
poemasmeus 993
é doce
sentir-se ridiculamente solto
em braços de acolhida, em mares de tempo bom,
em declarações recheadas de risos avessos
aos destemperos da vida,
conjuntamente conspirar
contra o tédio do fim,
contra a morte na esquina,
contra a sujeira no mundo
e o mundo nos homens;
é doce, doce muito é,
é calmo,
deixar-se transbordar
pela glória inexata do encontro,
o morno enlace da verdade que damos conta,
a cumplicidade do poder, amando,
ser leve na vida;
por isso tem nenem, xuxu e lovinho,
tem baby, tata, ricc e miguinho,
tem amore, bem, anjo, anjinho,
tem isso de ser bobinho e feliz
o amor mais concreto:
o coração arrebata
é com
diminutivos.

