eu me derramo
sobre o ventre que desenho,
me derramo em letras,
em lágrimas plenas de tudo;
é como regasse eu
o teu jardim absoluto;
eu me derramo forte inteiro
por sobre teu mar de pele mansa,
é como soubesse eu
da tua varanda imaginária
apenas simples;
eu me derramo impiedoso
sobre teu corpo de sede,
tua boca de ares,
tuas pernas de espera:
dá-me o afago de tulipas
enlaçando girassóis.
Metralhadora giratória, supra-sumo da discórdia, arcabouço da heresia, exercício reflexivo do incomum.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
sábado, 18 de julho de 2009
poemasmeus7741
há no litoral
a montanha invertida no fundo
da costa;
é poço da saudade anunciada,
do perfume de ondas e mar
de espera;
eu seria meu salvador de versos,
mas paira sobre os pulsos belos,
muitas cores de paredes infinitas;
a moldura é morena em sangue,
o contorno é de arcos em boca plena;
há na costa o mar e pimenta
de todo o resumo
da beleza dita.
a montanha invertida no fundo
da costa;
é poço da saudade anunciada,
do perfume de ondas e mar
de espera;
eu seria meu salvador de versos,
mas paira sobre os pulsos belos,
muitas cores de paredes infinitas;
a moldura é morena em sangue,
o contorno é de arcos em boca plena;
há na costa o mar e pimenta
de todo o resumo
da beleza dita.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
poemasmeus-992233
vivo em um oco
minuto vastíssimo,
minhas saudades são anteriores
aos enamoramentos,
meus abraços fugidios
acariciam mais sombras e ventos
que o dorso dalguém que me acolha;
quero muito e tanto
ser o mais bemvindo
entre todos,
quero teus beijos
absurdos e doces,
que me leias sem
as letras que as outras
exigiam;
sou pequeno na terra
e enorme por dentro;
minha falta de ti
é meu império romano,
o mapammundi ao revés,
a cordilheira dos andes
de pontacabeça em meus pés;
tem essa dada por quase certeza:
onde me vês chegar
é que por lá
já passei muito antes.
minuto vastíssimo,
minhas saudades são anteriores
aos enamoramentos,
meus abraços fugidios
acariciam mais sombras e ventos
que o dorso dalguém que me acolha;
quero muito e tanto
ser o mais bemvindo
entre todos,
quero teus beijos
absurdos e doces,
que me leias sem
as letras que as outras
exigiam;
sou pequeno na terra
e enorme por dentro;
minha falta de ti
é meu império romano,
o mapammundi ao revés,
a cordilheira dos andes
de pontacabeça em meus pés;
tem essa dada por quase certeza:
onde me vês chegar
é que por lá
já passei muito antes.
terça-feira, 14 de julho de 2009
poemasmeus89065
tenho diante de mim
dois enormes convites redondos,
um é de sal, outro de mel,
duplo salto para o dentro
do fundo fundo encantamento
que se me veio em sabores;
são meus poços generosos
de perder-me nela inteira,
um é de serra, outro de mar,
dueto antimelancolia,
espelham-me a figura
diminuta na vastidão;
tenho diante de mim
dois enormes convites redondos,
um é ida, outro é volta:
ambos são
de resplandecer.
dois enormes convites redondos,
um é de sal, outro de mel,
duplo salto para o dentro
do fundo fundo encantamento
que se me veio em sabores;
são meus poços generosos
de perder-me nela inteira,
um é de serra, outro de mar,
dueto antimelancolia,
espelham-me a figura
diminuta na vastidão;
tenho diante de mim
dois enormes convites redondos,
um é ida, outro é volta:
ambos são
de resplandecer.
domingo, 12 de julho de 2009
poemasmeus663
quisera eu ser teu sétimo véu
ultimíssimo;
dança-me tudo dentro,
move meu ar guardado,
volta e brilha na boca
tua estrela compartilhada;
onde há tempestade de olhos
há amor de semente acolhida;
é assim no ar que vejo:
tem respiros de querência
na fonte esperada de toda
calma nossa.
ultimíssimo;
dança-me tudo dentro,
move meu ar guardado,
volta e brilha na boca
tua estrela compartilhada;
onde há tempestade de olhos
há amor de semente acolhida;
é assim no ar que vejo:
tem respiros de querência
na fonte esperada de toda
calma nossa.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
sake
línguas em profusão vermelha
densa, o universo diminuto
na vastidão imensa
das bocas mansas;
mordo tua braveza errante
para tragar muito
dos teus sonhos enterrados;
minhalma no sakê da tua,
vamos rolando abaixo
pelo chão de estrelas inusitadas;
coloca reticências ao fim do beijo,
toca a lua em meu dorso,
o nascimento do amor
é ébrio, doce e desliza;
que da tua muita falta
seja a minha
presença sentida.
densa, o universo diminuto
na vastidão imensa
das bocas mansas;
mordo tua braveza errante
para tragar muito
dos teus sonhos enterrados;
minhalma no sakê da tua,
vamos rolando abaixo
pelo chão de estrelas inusitadas;
coloca reticências ao fim do beijo,
toca a lua em meu dorso,
o nascimento do amor
é ébrio, doce e desliza;
que da tua muita falta
seja a minha
presença sentida.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
poemasmeus 7221
meus olhos engolem
tuas sombras de dentro;
vou fundo no fundo,
entro, meto, arremeto
invado;
vejo, vasculho, lanço,
esculhambo e arranco;
quando olho, vejo
e constato:
meus olhos são
olhos bem não
convidados.
tuas sombras de dentro;
vou fundo no fundo,
entro, meto, arremeto
invado;
vejo, vasculho, lanço,
esculhambo e arranco;
quando olho, vejo
e constato:
meus olhos são
olhos bem não
convidados.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
poemasmeus 8898
o beijo do reencontro
tem aquilo do mel
já conhecido;
conheço e reconheço aquela
toda boca de falta, que arde,
na latência adiada do peito
vasto;
são línguas que querem dizer-se:
amo-te ainda e agora;
come de mim tuas palavras,
leva de mim tua memória;
o desespero doce
da saudade imensa;
mas ao irmos, amor,
ao longe de nós,
vem o duro golpe;
beijar-te de novo
era apenas
buscar-me no ontem.
tem aquilo do mel
já conhecido;
conheço e reconheço aquela
toda boca de falta, que arde,
na latência adiada do peito
vasto;
são línguas que querem dizer-se:
amo-te ainda e agora;
come de mim tuas palavras,
leva de mim tua memória;
o desespero doce
da saudade imensa;
mas ao irmos, amor,
ao longe de nós,
vem o duro golpe;
beijar-te de novo
era apenas
buscar-me no ontem.
terça-feira, 30 de junho de 2009
poemasmeus776
palmas em meio ao negro palco,
negros olhos, pelos negros,
roupa negra, palmas, palmas,
negro silêncio, pausa,
palmas, cajón, palmas,
negra voz ácida doce, olé.
flamencamente tudo brilha.
negros olhos, pelos negros,
roupa negra, palmas, palmas,
negro silêncio, pausa,
palmas, cajón, palmas,
negra voz ácida doce, olé.
flamencamente tudo brilha.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
tua figura
emoldura
meus olhos de sal,
quisera ter
na terra toda
o campo mais vasto
de girassóis amarelissimos;
seria lá, sem tanto sol,
meu mantel e meu vinho
para a toda boca tua;
tua figura
emoldura
meus olhos de sol.
emoldura
meus olhos de sal,
quisera ter
na terra toda
o campo mais vasto
de girassóis amarelissimos;
seria lá, sem tanto sol,
meu mantel e meu vinho
para a toda boca tua;
tua figura
emoldura
meus olhos de sol.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
foi-se lá.
ela foi-se lá,
para o mundo de alices,
com seus coelhos todos
e relógios
que apenas e tão só
ela entendia;
tudo era nela
uma doce confusão,
nos olhinhos de tumulto,
no cabelo adorável;
sapatos, os usava baixinhos,
"sou menina, sem pedestal",
recolhia graça da vida
e paixão dos homens,
mulheres apenas queriam
sê-la muito;
passou por mim
como as tormentas do araguaia,
inundou tudo que pôde,
afogou meus versinhos sem chance,
renovou meu verde de dentro,
e partiu, num clarão
repentino do meu céu
edificado.
para o mundo de alices,
com seus coelhos todos
e relógios
que apenas e tão só
ela entendia;
tudo era nela
uma doce confusão,
nos olhinhos de tumulto,
no cabelo adorável;
sapatos, os usava baixinhos,
"sou menina, sem pedestal",
recolhia graça da vida
e paixão dos homens,
mulheres apenas queriam
sê-la muito;
passou por mim
como as tormentas do araguaia,
inundou tudo que pôde,
afogou meus versinhos sem chance,
renovou meu verde de dentro,
e partiu, num clarão
repentino do meu céu
edificado.
saraupoéticoeeulá
uma camisa muito branca,
golas e pulsos exagerados,
a jaqueta muito preta,
sapatos italianos lustrados,
meus jeans estropeado
e a voz: em suspenso raro.
golas e pulsos exagerados,
a jaqueta muito preta,
sapatos italianos lustrados,
meus jeans estropeado
e a voz: em suspenso raro.
o peito arde no cabofrio,
onde o sol acampa em água
e a terra se arruína
em dunas marinas
de brisas amantes;
lá reside o par de olhos
da fome de ver o mundo,
mas é a recolhida do vale,
a rapunzel de corte curto,
que joga é versos
em vez de tranças;
pudera todos eles a leitura
do mais singelo
que dela se lança:
sempre quis foi abraço manso,
depois da tormenta doce
dos seus amores de lembrança.
onde o sol acampa em água
e a terra se arruína
em dunas marinas
de brisas amantes;
lá reside o par de olhos
da fome de ver o mundo,
mas é a recolhida do vale,
a rapunzel de corte curto,
que joga é versos
em vez de tranças;
pudera todos eles a leitura
do mais singelo
que dela se lança:
sempre quis foi abraço manso,
depois da tormenta doce
dos seus amores de lembrança.
vidamaria
vidamaria dos montes baixos,
que ia ao caminho
beijando o planeta,
flertando gatos
e borboletas,
atirando pedrinhas
em poças infinitas;
distribuia exuberância
ao caminhar, displicente,
as curvas em si mesma,
era quase unanimidade pictórica,
a esperada da esquina,
a desejada de muitos;
vidamaria, assim, num
átimo de tempo,
deu ao mundo a cria:
agora são duas a ser,
lindamente,
uma só
vidamaria.
que ia ao caminho
beijando o planeta,
flertando gatos
e borboletas,
atirando pedrinhas
em poças infinitas;
distribuia exuberância
ao caminhar, displicente,
as curvas em si mesma,
era quase unanimidade pictórica,
a esperada da esquina,
a desejada de muitos;
vidamaria, assim, num
átimo de tempo,
deu ao mundo a cria:
agora são duas a ser,
lindamente,
uma só
vidamaria.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
pequenininho no abandono fundo,
meu cabelo em desalinho,
o salto na noite de cima do muro,
o pé ao espinho,
a rota alterada;
mas fica de bom, o bom:
ao fim da jornada todo o amor
é vista saudosa de retrovisor
da velocíssima viagem.
meu cabelo em desalinho,
o salto na noite de cima do muro,
o pé ao espinho,
a rota alterada;
mas fica de bom, o bom:
ao fim da jornada todo o amor
é vista saudosa de retrovisor
da velocíssima viagem.
terça-feira, 16 de junho de 2009
flamenco con all star
flamenco con all star,
una musa tatuada,
cinco ganas de perderte,
ocho ganas de amarte;
diez noches sin la nada,
cuatro adioses por morirte,
una flor,
por recibirte,
y la vida por delante.
una musa tatuada,
cinco ganas de perderte,
ocho ganas de amarte;
diez noches sin la nada,
cuatro adioses por morirte,
una flor,
por recibirte,
y la vida por delante.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Poemas twitter
No dentro esférico
Do olho da falta
Do ente saudade;
O silêncio faz alarde.
Do olho da falta
Do ente saudade;
O silêncio faz alarde.
domingo, 14 de junho de 2009
poemasmeus-71198
era o quintal e estava ela
ao fundo do cerco,
entendendo-se com as formigas;
ela se lambuzava, naquelas horas mornas,
de silêncios verdes, marrons e terra;
como se houvesse nascido para uma despedida
agendada,marcada no caderno imaginário
dos atos inesperados;
houve sim um tempo em que
também os gatos eram sua companhia;
ia lá tecendo ela
a sedução dos felinos ariscos,
dominou assim a arte toda:
nunca teve pressa com os homens.
ao fundo do cerco,
entendendo-se com as formigas;
ela se lambuzava, naquelas horas mornas,
de silêncios verdes, marrons e terra;
como se houvesse nascido para uma despedida
agendada,marcada no caderno imaginário
dos atos inesperados;
houve sim um tempo em que
também os gatos eram sua companhia;
ia lá tecendo ela
a sedução dos felinos ariscos,
dominou assim a arte toda:
nunca teve pressa com os homens.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Poemasmeus-81132
a trama do ninho em chamas,
árvore mais discreta do cerrado,
quase sem ver-se do chão,
cor de terra despercebida,
apagadinha na rasteiridão;
lá, nela, entre o fogo lento
e a lua, que é estrela de espera,
brotam-se diminutas flores
saídas da casca dura;
o céu nem percebeu,
o sol castiga e apura,
mas é de cada pétala ínfima
que nasce e brilha
cada nossa
espera mútua.
árvore mais discreta do cerrado,
quase sem ver-se do chão,
cor de terra despercebida,
apagadinha na rasteiridão;
lá, nela, entre o fogo lento
e a lua, que é estrela de espera,
brotam-se diminutas flores
saídas da casca dura;
o céu nem percebeu,
o sol castiga e apura,
mas é de cada pétala ínfima
que nasce e brilha
cada nossa
espera mútua.
domingo, 3 de maio de 2009
ela se faz
no abraço da falta,
plena de saudades
entre criaturas divinas,
de tão meninas,
as gotas de alegria;
vai-se ao mundo
esparcindo o laço
do afeto bom,
o traço da alma repleta,
sem sombra, sem cinza,
apenas e tão só
bonita e ela;
por tais vôos meus passos
não lhe alcançariam a graça:
em sendo criança de falta,
é meu sorriso ao longe
que ela um dia
abraça.
no abraço da falta,
plena de saudades
entre criaturas divinas,
de tão meninas,
as gotas de alegria;
vai-se ao mundo
esparcindo o laço
do afeto bom,
o traço da alma repleta,
sem sombra, sem cinza,
apenas e tão só
bonita e ela;
por tais vôos meus passos
não lhe alcançariam a graça:
em sendo criança de falta,
é meu sorriso ao longe
que ela um dia
abraça.
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