terça-feira, 29 de junho de 2010

desde lejos

desde lejos he venido,
y mis ropas rotas de tanto venir,
y mi caballo fantasma de cansancio;

desde lejos he venido
con tu nombre de sed
en mi boca de arder,

he amado más de lo permitido
que la gente esa no lo entiende,
querer es pecar por aprecio,
es callarse pal cielo,
atarse uno por adentro;

desde lejos he venido
para saber si sigues tú
con los ojos de gris de plomo,
que tu vida tan pesada y limpia
me parecía una montaña de hierro
frío;

desde lejos muy lejos he venido
a verte de nuevo herida, hermosa y vieja:
el amor que se acaba
es el que menos se entierra.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ESTAMOS DE VOLTA

Depois de um enorme intervalinho, volto a postar coisas por aqui. Também agora no Twitter: @RPaolinelli

:)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

escrituras malemolentes 01

Assim dá-se a coisa do escrever: é um deslize de letras que configuram troços bonitos. E feios, bem das vezes, duma feiúra boa que é mansa de falar.
Pensei muito já que registrar palavras é gravar beijos que mereceram sair pro mundo.
Porque tem disso..beijos merecidos e outros tantos abortados.
Ou pior, aqueles que, se pudéssemos, pediríamos devolução retroativa.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

poemasmeus 8876

onde repousa tua retina
achega-se à letra
tua menina de olhos;

cuida bem do rumo
que tuas órbitas seguem;

ler é beber alfabetos,
embriaga-te do bem.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

a pausa

a gota da letra tarda
milênios de horas secas;

enorme bosque de espera,
confusões às avessas;

escrever é lapidar tempo
em linhas tesas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

quando houve nalgum tempo
o mais abraço dos ventos
não era assim tão igual ao que
hoje temos;

absoluto encontro
do encaixe,
fina flor de todo
complemento;

ver-te indo é
ir-me junto:
volta não,
não sai.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

poemasmeus 000001

tem ar e cal
o nome da amada,
e vão nela olhos
de comer o planeta por cores;
primeiro, ela tragou todo o verde
que a suavidade podia dar conta;
ao verde, deu-lhe tons de rosa, por ser
ela amiga das alegrias mais diminutas;

tam cal, tem ar,
o nome da amada tem tudo
que me faz calar;

parece ser que até as ruas
lhe fazem reverência ao passar:

tem cal, tem ar,
tem calma
tem mar,
tem eu em baile bom
e
tem, ao fundo do fundo,
o amor, em todo tom.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

tua toda fauna pura
em minha retina
se conjura;

nosso amor oxigena;
nossa delícia
não se evapora,
e na raiz do meu poema,
rega a água
sem demora.

domingo, 16 de agosto de 2009

poemasmeus 5534

eu beijaria
tua sobrancelha esquerda,
teu pulso direito,
teu sonho primeiro
e tua alegria última;

para elevar em balões de cores
o mais digno
dos teus únicos amores;

tua boca em suspensão lenta,
meu abraço absurdo de pleno,
cada rua radiante
para nossos caminhos à frente;

quero ardência sem torpor
e amanhãs livres
de adeuses.
paixão não é vexame,
ame,
inflame seu céu,
abrace em brasa,
viva, morda e arda.

sábado, 15 de agosto de 2009

poemas meus 3222887

pimenta na língua
que te inflama a alma,
sou o reverso da tua medalha
da santa que te carrega;

eu lambo teus dogmas e
lanço-te ao forno de mel
ao amor imaginário;

quero-te mais fundo
que os porões
do meu armário;

apenas deixa-te chegar:
amor bom é sem machucar.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

poemasmeus35542

sobre teu ventre girassóis
dos meus beijos forjados
em brasa e ferro romano;

meu amor é de render-me;

sobre teus ombros as tulipas
dos verões que recolhi de Sevilla,
e meus beijos edificados
por letrinhas e alfabetos;

meu amor é de querer-te;

sobre tua figura,
todo o céu dos meus vermelhos,
e a mansa calma da toscana:
arde-me o limite de toda pele;
quero-te acima dos andes.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Recadinho para a "mulher para casar".

Machista. Você, mulher para casar, é machista. Tem uma fúria uterina por ser imediatamente mãe. Quer agarrar-se a deusnossosenhor para garantir a felicidade eterna junto a seu suposto amado conveniente. Você acha que a felicidade dirige um audi e que o belvedere é a quintessência da alegria edificada.

Você não quer filhos, quer bonecos. Vai parir uma ninhada de yorkshires bípedes.

Você adora falar dos "valores e princípios", mas deve ser uma fã de filmes de sacanagem nas madrugadas perdidas com sua tv a cabo no MUTE.

Infeliz. Você é, obviamente, infeliz. E, claro, deposita em seu lindo futuro de casada todo o resumo da felicidade possível.

Você não se deixa arder. Leva a vida em banho-maria. Você se acha melhor que as demais. Você certamente diz: " Esse mundo tá perdido".

Perdida está você em seu delírio cor-de-rosa.

Provavelmente, você é corna. Sua mãe e sua avó, coitadas, foram também.

Isso porque seu discurso machista retroalimenta a cornação. Você pede luzes apagadas.

Você vive ( vive?) o presente alabando seu futuro feliz, perfeito e programado.

Você já morreu, porque abortou o amor e exigiu dele um plano frágil, não uma vivência intensa.

E vc deve amar ver o peito cabeludo do jardineiro do seu namorado, porque no fundo da sua alma cristã, há um poço de lodaçal de desejos inconfessos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

poemasmeus8873

minha língua me arde
e queima o mundo,
chicote de carne, látigo
profundo, flecha certa
contra o enorme muro do óbvio;

minha língua me escapa
e lambe sabores de rareza,
minha língua te beija
carnes e perfumes,

minha língua não reza;

assim no tão longe de tudo
minha língua é aspereza
e te apavora,
minha língua também chora
todo amor guardado dela;

minha língua não foi-se
dar com línguas de quimera;

minha língua diz do amanhã
em quando onde
minha língua doce era.

domingo, 26 de julho de 2009

poemasmeus-3328

parece ser
uma densa ventania branca,
a vida e os passos
que erro pelo mundo,
parece ser neblina
de salamanca, tardinha de lucca,
noite plena de marrakesh;

entre olhos, mãos e pulsos
vou-me espalhando em versos
pelo mundo imenso em mim;

assim, sozinho e longínquo,
recolho as palavras mais bonitas
que me são ditas e não ditas,
acolho quereres, frustro ilusões,
destituo os óbvios, arranco cores
dos dias mais duros;

se chegará a amada, que seja no simples,
no árduo,
no incomparável e no brilho.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Há dias em que o tédio me acampa. Entre uma tradução e outra, nada novo nos textos, nenhuma mensagem interessante, um deserto de idéias. E pessoas, bem..pessoas cada vez mais previsíveis...os cantores do óbvio, as atrizes do desejável comum.


Que hei de fazer eu?


Nada. A contemplação quase budista da fauna humana e sua pouco provável melhoria. Sou feliz com meu arco e flecha, vendo a obra de Goya, degustando os versos do Pessoa.

Sou feliz com um cálice de vinhodoporto.


" Mãozinha, mãozinha...bracinho, bracinho...SAI DO CHÃO!!! SAI DO CHÃO!!!" não me deixam exatamente feliz, os axeísmos da multidão contente e bonita desse brasilzão inaciano.

Assim o tempo passa e os sonhos vão se enterrando em troca de sermos mais sociáveis.


Hoje, especialmente, o flamenco será ouvido e o nonsense momentaneamente ignorado.

poemasmeus76665

eu me derramo
sobre o ventre que desenho,
me derramo em letras,
em lágrimas plenas de tudo;

é como regasse eu
o teu jardim absoluto;

eu me derramo forte inteiro
por sobre teu mar de pele mansa,

é como soubesse eu
da tua varanda imaginária
apenas simples;

eu me derramo impiedoso
sobre teu corpo de sede,
tua boca de ares,
tuas pernas de espera:

dá-me o afago de tulipas
enlaçando girassóis.

sábado, 18 de julho de 2009

poemasmeus7741

há no litoral
a montanha invertida no fundo
da costa;

é poço da saudade anunciada,
do perfume de ondas e mar
de espera;

eu seria meu salvador de versos,
mas paira sobre os pulsos belos,
muitas cores de paredes infinitas;

a moldura é morena em sangue,
o contorno é de arcos em boca plena;

há na costa o mar e pimenta
de todo o resumo
da beleza dita.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

poemasmeus-992233

vivo em um oco
minuto vastíssimo,
minhas saudades são anteriores
aos enamoramentos,
meus abraços fugidios
acariciam mais sombras e ventos
que o dorso dalguém que me acolha;

quero muito e tanto
ser o mais bemvindo
entre todos,
quero teus beijos
absurdos e doces,
que me leias sem
as letras que as outras
exigiam;

sou pequeno na terra
e enorme por dentro;

minha falta de ti
é meu império romano,
o mapammundi ao revés,
a cordilheira dos andes
de pontacabeça em meus pés;

tem essa dada por quase certeza:
onde me vês chegar
é que por lá
já passei muito antes.

terça-feira, 14 de julho de 2009

poemasmeus89065

tenho diante de mim
dois enormes convites redondos,
um é de sal, outro de mel,
duplo salto para o dentro
do fundo fundo encantamento
que se me veio em sabores;

são meus poços generosos
de perder-me nela inteira,
um é de serra, outro de mar,
dueto antimelancolia,
espelham-me a figura
diminuta na vastidão;

tenho diante de mim
dois enormes convites redondos,
um é ida, outro é volta:
ambos são
de resplandecer.