O sujeito que quase sempre viveu na pindaíba da realidade majoritária, salarinho mirrado, vida apertada e busão ídem, vive agora um troço diferente.
Empolgou-se.
Tem mais acesso ao crédito, mais prazo, mais ofertas.
O país transformou-se num grande mercadão, onde vende-se tudo fiado. Aí, vai lá o caboclo, comprando o que pode com a grana que não tem, dividindo os badulaques em 30 x sem juros*, a geladeira, a moto 150 cc, o armário da cozinha e, claro, uma tv de plasma pra ver melhor os gol de bicicreta do time amado. Ele quer matar a fome represada de acesso ao consumo.
Quando o crédito acaba, tem pobrema não, pega consignado da aposentadoria mirradinha da mãe, do pai, da tia-avó.
Fôdaz.
Bom.
Não precisamos ser muito extensos, digamos assim, mentalmente, para antecipar o balacobaco que var dar essa ilusão crediária. Anotem aí, seres queridos, vai ter quebradeira de comércio e muito banco irá junto. Previsão> novembro de 2010.
O pior disso é que vai edificando-se uma sensação equivocadíssima de que tudo vai bem, cada vez melhor, obrigado. As trombetas do ufanismo brazucão soam através da boca furiosa do crédito irresponsável.
O crédito é o ópio do povo, dividido em 30 vezes no cartão.
A populaçãn, além de majoritariamente pobre, será endividada. Já é.
Aí, já era.
Metralhadora giratória, supra-sumo da discórdia, arcabouço da heresia, exercício reflexivo do incomum.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Constataçãn
Lula, aposentado por invalidez, governa o Brasil.
Aqui, não serve dizer que la nave va.
La nave sifu.
Aqui, não serve dizer que la nave va.
La nave sifu.
Reflexão sobre quadrúpedes- parte 1
Pensando bem, o torcicolo dói mais é na girafa.
Poeminha acidulante

filhinho, querido,
estamos no séculuvintium,
na era de aquário, nos portal dos tempos;
portanto, não seja tolinho,
se quiser vencer na vida,
ter carrão, casona na praia
e mil loiras por semana
não estude, não faz falta
olha o presidente, o tanto que manda
e o nada que lê,
os churrascões que manda fazer,
a vida boa que leva;
então, filhinho,
deixa o diploma pra lá,
deixa o diploma pra lá,
vai bater uma bolinha,
calçar chuteira, virar o tal,
agora o lance é ser
centroavante
metrossexual.
A RAZÃO PARA VOTAR NESTE HUMILDE REFÙGIO DO PENSAMENTO LIVRE
Vocês perceberam, ali, na coluna à direita, uma bandeirinha do concurso TOP 30.
Bom.
A princípio, eu tenho pavor de concursos de sites de internet. Por quê? Porque normalmente os ganhadores dessas coisas usam o troço para fins comerciais. E acabam usando eu, você e o seu voto para ganhar dindin. Alguns até são merecedores, a maioria não o é.
Mas resolvi enfrentar os milhares de sites de bundas, peitos, celebridades, fofocas e afins, apenas para ser a mosca na sopa deles.
Se você puder ajudar, oh irmão, oh irmã, caridosamente, clique ali na bandeirinha e pronto.
Vamos mostrar que as letras podem enfrentar a ditadura pictórica das ancas.
Bom.
A princípio, eu tenho pavor de concursos de sites de internet. Por quê? Porque normalmente os ganhadores dessas coisas usam o troço para fins comerciais. E acabam usando eu, você e o seu voto para ganhar dindin. Alguns até são merecedores, a maioria não o é.
Mas resolvi enfrentar os milhares de sites de bundas, peitos, celebridades, fofocas e afins, apenas para ser a mosca na sopa deles.
Se você puder ajudar, oh irmão, oh irmã, caridosamente, clique ali na bandeirinha e pronto.
Vamos mostrar que as letras podem enfrentar a ditadura pictórica das ancas.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Doce, Ácido, Demolidor, Zen.
Lendo alguns mails enviados pelos leitores, constatei que há uma certa confusão sobre o que eu posto por aqui. Alguns não entendem esse conjunto liquidificatório de textos, poemas, críticas e frases, essa confusão, a miscelânea de letras aqui destilada.
Ora, pipocas.
Faço a coisa de modo intercalado, porque acho chato textos lineares demais.
Sou filho do controle remoto da TV. Quero compartilhar as inquietações, uai.
Nenhuma pretensão maior que ser colunista dalguma revista que me pague decentemente ou dalgum jornal que se resolva por minzinho.
A idéia não é causar espanto.
O DESCONSTRUTIVUS pode ser uma boa opção praquelas horas de tédio na sua casa, quando o BBB 8 está no ar.
Ora, pipocas.
Faço a coisa de modo intercalado, porque acho chato textos lineares demais.
Sou filho do controle remoto da TV. Quero compartilhar as inquietações, uai.
Nenhuma pretensão maior que ser colunista dalguma revista que me pague decentemente ou dalgum jornal que se resolva por minzinho.
A idéia não é causar espanto.
O DESCONSTRUTIVUS pode ser uma boa opção praquelas horas de tédio na sua casa, quando o BBB 8 está no ar.
Poema Concretino II
O Urso
Grrrr
Grrrrrr
Grrrrruta
Grrrrrruta escura
Menininhonãaoooooooo....
NHAC!!!
Burp.
Grrrr
Grrrrrr
Grrrrruta
Grrrrrruta escura
Menininhonãaoooooooo....
NHAC!!!
Burp.
Poema Concretino
O OVO
O vôo
O ovo
Ovo
crack
Piu!
O vôo
O ovo
Ovo
crack
Piu!
SOBRE OS COMENTÁRIOS DE LEITORES
Prezados e prezadas,
Depois da avalanche de comentários dos fundamentalistas religiosos, intolerantes de plantão e outros seres incomodadíssimos com meu humilde blog, decidi receber apenas pelo e-mail ricardo@eile.com.br as sugestões e/ou críticas aos textos. Fica chato ler tudo e depois ter que filtrar a coisa.
Adoro o debate, mas abomino a perda de tempo.
Depois da avalanche de comentários dos fundamentalistas religiosos, intolerantes de plantão e outros seres incomodadíssimos com meu humilde blog, decidi receber apenas pelo e-mail ricardo@eile.com.br as sugestões e/ou críticas aos textos. Fica chato ler tudo e depois ter que filtrar a coisa.
Adoro o debate, mas abomino a perda de tempo.
Frasesinha com expresso
Não é que o mundo esteja pior, foi seu gosto que melhorou.
Colo e cafuné
A cortesia masculina foi perdida.
Enrolamo-nos em uma fiação pobrezinha de bíceps, testosterona e atos de auto-afirmação...cantar os pneus do carro, acelerar muito e achar bonito ser polivalente no amor e canalha nos atos.
A mulher esperava mais de nós, senhores. E cansou-se.
Hoje, a mulher se refugia em si mesma ou falseia nossos atos assombrosos. Quer ser predadora também.
Mas o bom colo e o velho cafuné ainda guardam em si a essência plena do amor que queremos todos.
O acolhimento e a cortesia ainda calam mais fundo que a bundoignorância, a ditadura da casquinha.
Enrolamo-nos em uma fiação pobrezinha de bíceps, testosterona e atos de auto-afirmação...cantar os pneus do carro, acelerar muito e achar bonito ser polivalente no amor e canalha nos atos.
A mulher esperava mais de nós, senhores. E cansou-se.
Hoje, a mulher se refugia em si mesma ou falseia nossos atos assombrosos. Quer ser predadora também.
Mas o bom colo e o velho cafuné ainda guardam em si a essência plena do amor que queremos todos.
O acolhimento e a cortesia ainda calam mais fundo que a bundoignorância, a ditadura da casquinha.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Religião não religa, apenas desconecta.
É o seguinte,
Antes que as cruzadas evangélicas ou os filhotes do Opus Dei venham encher meu e-mail com gracinhas, já aviso que não sou ateu.
Muito menos cola o argumento de que o laicismo ou a laicidade tenham se tornado uma nova ditadura dogmática com inquisidores racionalistas de plantão.
Provou-se, aos que não se lembram mais do que aconteceu durante a Inquisição ou durante o regime talibã no Afeganistão, que não podemos jamais deixar de estar vigilantes em relação aos intermediários divinos, às petulâncias religiosas.
Acredito num balacobaco, numa força criadora de tudo, num troço que derivou no bigbang.
Mas quem sou eu pra dar nome a essa força, especular em nome dela ou fazer suposições sobre o que ela espera de nós.
Acho mesmo que as religiões são mera pretensão humana e, fazendo as contas, fazem o mal, pois virou mania humana matar em nome do altíssimo ou mutilar mulheres, sacrificar homens, ter pavor dalgum hímem extinto ou aniquilar as pequenas alegrias da vida, vertidas em pecados.
Fora o tremendo negócio de venda de unções, copinho de água do Jordão, cruzes, patuás, burkinhas perfumadas e sacolinhas de grana extorquida que rolam por aí.
E as sessões especiais dos 387 cajados para o sucesso empresarial ou a fogueira santa para os infortúnios do amor.
Ah, menino...religião, política e futebol não se discutem. Olha a violência cretina dessa frase, desse chavão. Dizem isso porque se a coisa da discussão fosse levada a cabo, não sobraria religião nenhuma. Querem dogmas inquestionáveis, querem certezas inamovíveis.
Querem calar sua boca, pessoa leitora de mim.
Querem o dízimo também, irmãos.
Pecado mesmo é sacanear os outros. E as religiões fazem isso com frequência.
As religiões sacaneiam demais os outros.
As que vieram das derivações judaicas então, socorro mamãe.
E quanto mais religiosa a pessoa, mais insistente e fanática ela fica...parece que são elas que, por falta de certeza, precisam repetir, repetir, repetir.
Só sei que além do peru de Adão, resolveram instalar o clitóris na Eva, pô. Se é obra divina, pecado é não usar.
Encontrei uma coletânea de contradições bíblicas deliciosas. Se vc tem fé e acredita que aquela colagem de textos é um troço coerente, nem tente ir ao site abaixo, porque vai entrar em depressão e ter crise identitária. Mas pode ser, acreditem, uma libertação.
É necessário saber a fundo para que é que se diz amém.
http://www.ateufeliz.hpg.ig.com.br/ContradicoesBiblicas.htm
Que é divertido, é.
Antes que as cruzadas evangélicas ou os filhotes do Opus Dei venham encher meu e-mail com gracinhas, já aviso que não sou ateu.
Muito menos cola o argumento de que o laicismo ou a laicidade tenham se tornado uma nova ditadura dogmática com inquisidores racionalistas de plantão.
Provou-se, aos que não se lembram mais do que aconteceu durante a Inquisição ou durante o regime talibã no Afeganistão, que não podemos jamais deixar de estar vigilantes em relação aos intermediários divinos, às petulâncias religiosas.
Acredito num balacobaco, numa força criadora de tudo, num troço que derivou no bigbang.
Mas quem sou eu pra dar nome a essa força, especular em nome dela ou fazer suposições sobre o que ela espera de nós.
Acho mesmo que as religiões são mera pretensão humana e, fazendo as contas, fazem o mal, pois virou mania humana matar em nome do altíssimo ou mutilar mulheres, sacrificar homens, ter pavor dalgum hímem extinto ou aniquilar as pequenas alegrias da vida, vertidas em pecados.
Fora o tremendo negócio de venda de unções, copinho de água do Jordão, cruzes, patuás, burkinhas perfumadas e sacolinhas de grana extorquida que rolam por aí.
E as sessões especiais dos 387 cajados para o sucesso empresarial ou a fogueira santa para os infortúnios do amor.
Ah, menino...religião, política e futebol não se discutem. Olha a violência cretina dessa frase, desse chavão. Dizem isso porque se a coisa da discussão fosse levada a cabo, não sobraria religião nenhuma. Querem dogmas inquestionáveis, querem certezas inamovíveis.
Querem calar sua boca, pessoa leitora de mim.
Querem o dízimo também, irmãos.
Pecado mesmo é sacanear os outros. E as religiões fazem isso com frequência.
As religiões sacaneiam demais os outros.
As que vieram das derivações judaicas então, socorro mamãe.
E quanto mais religiosa a pessoa, mais insistente e fanática ela fica...parece que são elas que, por falta de certeza, precisam repetir, repetir, repetir.
Só sei que além do peru de Adão, resolveram instalar o clitóris na Eva, pô. Se é obra divina, pecado é não usar.
Encontrei uma coletânea de contradições bíblicas deliciosas. Se vc tem fé e acredita que aquela colagem de textos é um troço coerente, nem tente ir ao site abaixo, porque vai entrar em depressão e ter crise identitária. Mas pode ser, acreditem, uma libertação.
É necessário saber a fundo para que é que se diz amém.
http://www.ateufeliz.hpg.ig.com.br/ContradicoesBiblicas.htm
Que é divertido, é.
Seu neto vai querer um Tata Shiva de 600 cavalos
Dar-se-á no Monasterio de Silos, Espanha, no ano 2047.
Uma família chinesa, devidamente munida de TITUNCHIS ( aparelhinho que faz tudo, desde telefonia molecular até filmagens em 3-d) compra as entradas para visitar o museu de iluminuras do mosteiro.
Reclamam entre si sobre a péssima qualidade do mandarim falado pelas senhoritas da bilheteria, mas conformam-se, afinal, esses ocidentais são assim mesmo, adoram cursos rapidinhos e basicões de mandarim, muitas vezes aprendendo cantonês dalgum professor oportunista.
E vão lá, a família Ching-Wua, espalhando seus passinhos miúdos entre as tais iluminuras medievais. Coloridíssimas, medievalmente falando, quase uma heresia. São iluminuras cicciolínicas, sim, sim, muitas cores, um abuso, uma indecência para a época, oras, a Inquisição não gostaria nada nada disso, enfim.
María del Amparo, uma das bilheteiras, sente-se orgulhosa, afinal, conseguiu receber a família de olhinhos ting-ting numa boa, sem muitas dificuldades para falar o que devia ser dito. Não entendeu porcaria nenhuma do que lhe disseram, mas e daí, nessas horas usa-se aquele truque linguístico maravilhoso de dizer entendo...entendo...veja bem... e a coisa flui, a coisa funciona, a coisa segue.
Ingressos vendidos.
Apenas um trocinho de angústia instalou-se ali, no peito de María, semanas atrás. Ela pediu a cidadania bolivovenezuelana, porque seu avô de Caracas era. Tomara que consiga, tomara, oh Deus, tomara. Ela aposta muito nisso...imagine...ela em Caracas, toda, toda, chiquetésima, poderosa, passeando pelo Boulevard Simón Bolívar, puxa, um sonho. Fora a chance de poder ter, um dia, aquele Tata Shiva de 600 cavalos, zerinho, zerinho.
Desde a anexação da Colombia, agora chamada de ´Liberación ´pelo nuevo empereur Chávez II, ordas de espanhós tentavam obter a cidadania para tentar a vida nalgum cargo da Pedevesa, com salarinho garantido e direito a casa, comida, roupa lavada e quadros de Chávez I, Bolívar e Ollanta Inácio de Silva, considerado o primeiro híbrido bolivariano gerado nos laboratórios da USP, no Brasil. Nasceu a criatura em Lima, foi batizado em Quito e, claro, recebeu sua primeira boina vermelha das mãos do próprio Diego Maradona, já provecto.
María del Amparo também tinha outra angústia, guardada lá no fundo daqueles peitões espanhóis. O desgraçado cursinho on-line da Arabicnet Express. A empresa que agenciava as excursões para Silos foi comprada pr um grupo dos Emirates, com sede em Dubai. Era melhor andar na linha, falar pelo menos o básico, vai saber, depois vem algum turbantado visitar de surpresa né, aí ferra tudo se não balbuciar ao menos um salamaleikum decente.
A vida em 2047 é uma coisa esquisitinha.
Uma família chinesa, devidamente munida de TITUNCHIS ( aparelhinho que faz tudo, desde telefonia molecular até filmagens em 3-d) compra as entradas para visitar o museu de iluminuras do mosteiro.
Reclamam entre si sobre a péssima qualidade do mandarim falado pelas senhoritas da bilheteria, mas conformam-se, afinal, esses ocidentais são assim mesmo, adoram cursos rapidinhos e basicões de mandarim, muitas vezes aprendendo cantonês dalgum professor oportunista.
E vão lá, a família Ching-Wua, espalhando seus passinhos miúdos entre as tais iluminuras medievais. Coloridíssimas, medievalmente falando, quase uma heresia. São iluminuras cicciolínicas, sim, sim, muitas cores, um abuso, uma indecência para a época, oras, a Inquisição não gostaria nada nada disso, enfim.
María del Amparo, uma das bilheteiras, sente-se orgulhosa, afinal, conseguiu receber a família de olhinhos ting-ting numa boa, sem muitas dificuldades para falar o que devia ser dito. Não entendeu porcaria nenhuma do que lhe disseram, mas e daí, nessas horas usa-se aquele truque linguístico maravilhoso de dizer entendo...entendo...veja bem... e a coisa flui, a coisa funciona, a coisa segue.
Ingressos vendidos.
Apenas um trocinho de angústia instalou-se ali, no peito de María, semanas atrás. Ela pediu a cidadania bolivovenezuelana, porque seu avô de Caracas era. Tomara que consiga, tomara, oh Deus, tomara. Ela aposta muito nisso...imagine...ela em Caracas, toda, toda, chiquetésima, poderosa, passeando pelo Boulevard Simón Bolívar, puxa, um sonho. Fora a chance de poder ter, um dia, aquele Tata Shiva de 600 cavalos, zerinho, zerinho.
Desde a anexação da Colombia, agora chamada de ´Liberación ´pelo nuevo empereur Chávez II, ordas de espanhós tentavam obter a cidadania para tentar a vida nalgum cargo da Pedevesa, com salarinho garantido e direito a casa, comida, roupa lavada e quadros de Chávez I, Bolívar e Ollanta Inácio de Silva, considerado o primeiro híbrido bolivariano gerado nos laboratórios da USP, no Brasil. Nasceu a criatura em Lima, foi batizado em Quito e, claro, recebeu sua primeira boina vermelha das mãos do próprio Diego Maradona, já provecto.
María del Amparo também tinha outra angústia, guardada lá no fundo daqueles peitões espanhóis. O desgraçado cursinho on-line da Arabicnet Express. A empresa que agenciava as excursões para Silos foi comprada pr um grupo dos Emirates, com sede em Dubai. Era melhor andar na linha, falar pelo menos o básico, vai saber, depois vem algum turbantado visitar de surpresa né, aí ferra tudo se não balbuciar ao menos um salamaleikum decente.
A vida em 2047 é uma coisa esquisitinha.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Fernando Pessoa no Big Brother
Imagino a cena, em um exercício plus ultra qualquer possibilidade:
O diretor do BBB, examinando centenas de vídeos de candidatos a "brothers", escolhendo as personagens-padrão: a loira bunduda, o homossexual, o negro, o homem do interior religioso, o descoladinho, a moderninha, o fortão intelectual do jiu-jitsu, a sapatinha e alguma vítima social estilo bené da silva. De golpe, por um surto metafísicoalocubráticoamorfótico, lhe chama a atenção um franzino míope, um cisquinho de sujeito, um quase entregador de leite dos anos 20. Dito ser humano declara, no vídeo, a razão de sua postulação a ser "brother" numa única frase, em forte acento lusitano:
- Estou a apresentar-me pois de literatura já não se vive mais.
É um certo Fernando Pessoa.
O diretor do BBB acha engraçado o sotaque do moço, mas deixa pra lá, afinal, é apenas alguém sem atributos visíveis. Não é sarado, não representa minoria pra provar que a TV é democrática, não fez acrobacias, não dança funk, não cantou nada, não desmunheca, não acredita em Nossa Senhora Aparecida.
É apenas um tal Fernando alguma coisa.
O mundo já não quer o bom. O mundo apenas precisa do útil.
O diretor do BBB, examinando centenas de vídeos de candidatos a "brothers", escolhendo as personagens-padrão: a loira bunduda, o homossexual, o negro, o homem do interior religioso, o descoladinho, a moderninha, o fortão intelectual do jiu-jitsu, a sapatinha e alguma vítima social estilo bené da silva. De golpe, por um surto metafísicoalocubráticoamorfótico, lhe chama a atenção um franzino míope, um cisquinho de sujeito, um quase entregador de leite dos anos 20. Dito ser humano declara, no vídeo, a razão de sua postulação a ser "brother" numa única frase, em forte acento lusitano:
- Estou a apresentar-me pois de literatura já não se vive mais.
É um certo Fernando Pessoa.
O diretor do BBB acha engraçado o sotaque do moço, mas deixa pra lá, afinal, é apenas alguém sem atributos visíveis. Não é sarado, não representa minoria pra provar que a TV é democrática, não fez acrobacias, não dança funk, não cantou nada, não desmunheca, não acredita em Nossa Senhora Aparecida.
É apenas um tal Fernando alguma coisa.
O mundo já não quer o bom. O mundo apenas precisa do útil.
Musiquinha para degustação- Niña Pastori y Falete
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Elite
elite
do Fr. élite, s. m.
s. f.,
o que há de melhor numa sociedade ou num grupo;
o escol;
a flor.
elite não é ser rico ou não gostar de che guevara e das farc.
elite é ser bom.
do Fr. élite, s. m.
s. f.,
o que há de melhor numa sociedade ou num grupo;
o escol;
a flor.
elite não é ser rico ou não gostar de che guevara e das farc.
elite é ser bom.
Coletânea óbvia e monotemática do amor- 3
há o encantamento fundo
e o afago raso,
a possibilidade de tudo,
a rasteira sede de momento,
a fome de mundo
há, amor meu,
o melhor de tudo que posso
e o pior do imundo em mim
mas há, além mar,
nossa praia sem naufrágio,
nosso abraço alagado,
nossos traços
na boa areia.
Se caráter tivesse cor
A sujeita que virou secretária para a igualdade racial no Brasil, com status de ministra, usa o discurso do preconceito para surrupiar dinheiro público.
Ela usa a cor da pele para se vitimizar.
Sendo vítima, em teoria, pretende ser desculpada dos atos condenáveis que realizou com o cartão de crédito da Presidência. Ela fez compras em free shops, ela abusou das hospedagens em hotéis de luxo, ela viajou "em missão oficial" inúmeras vezes, sem saber explicar muito bem o que fazia onde.
Este governo adora esse truque. Colocam um ser auto-vitimizado na administração pública para que ele sirva como escudo contra qualquer crítica. O retirante nordetisno, o metalúrgico sem dedinho, a negra que sofreu a vida toda, o ex-guerrilheiro perseguido, e por aí vão...
Qualquer governo que transforma a cor da pele em critério de escolha, usa o racismo como ferramenta de decisão de estado.
Esse governo é safado porque transforma as verdadeiras vítimas sociais em vítimas duas vezes> pelo que são e pelo uso político que se faz delas.
Se caráter tivesse cor, qual seria a tonalidade e nuance do coletivo lulista que acha lindo aparelhar o Estado?
Se cor de pele é critério meritório, quero ter meu bolsa-tudo, porque com dez tatuagens multicoloridas, sou também negro, amarelo, fúcsia, marrom, vermellho e branquelão.
Ela usa a cor da pele para se vitimizar.
Sendo vítima, em teoria, pretende ser desculpada dos atos condenáveis que realizou com o cartão de crédito da Presidência. Ela fez compras em free shops, ela abusou das hospedagens em hotéis de luxo, ela viajou "em missão oficial" inúmeras vezes, sem saber explicar muito bem o que fazia onde.
Este governo adora esse truque. Colocam um ser auto-vitimizado na administração pública para que ele sirva como escudo contra qualquer crítica. O retirante nordetisno, o metalúrgico sem dedinho, a negra que sofreu a vida toda, o ex-guerrilheiro perseguido, e por aí vão...
Qualquer governo que transforma a cor da pele em critério de escolha, usa o racismo como ferramenta de decisão de estado.
Esse governo é safado porque transforma as verdadeiras vítimas sociais em vítimas duas vezes> pelo que são e pelo uso político que se faz delas.
Se caráter tivesse cor, qual seria a tonalidade e nuance do coletivo lulista que acha lindo aparelhar o Estado?
Se cor de pele é critério meritório, quero ter meu bolsa-tudo, porque com dez tatuagens multicoloridas, sou também negro, amarelo, fúcsia, marrom, vermellho e branquelão.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
A Síndrome dos Seios Cream-Crackers
Quando, nos idos dos anos 80, havia mais possibilidades de sermos politicamente incorretos e ecologicamente aberrantes, era usual que muitas famílias tivessem em casa um papagaio. Ensinava-se ao plumado engaiolado alguns impropérios, hinos de clube de futebol e musiquinhas do estilo créu, para aqueles momentos de transbordamento e gracinhas. Quando o dito papagaio executava bem, diante das visitas, alguma gracinha aprendida, ganhava uma ração extra de sementes de girassol ou, mais das vezes, uma bolacha (hahahaha bolacha é ótimo!) cream-cracker. O biscoito cream-cracker era a premiação pela gracinha exibicionista.
Bom.
Nos mesmos anos 80, o apogeu da glória sexual dos mocinhos e mocinhas de então era a efetivação da famosíssima "mão no peitinho" da menina. Em Belo Horizonte, o lugar mais adequado para tal façanha entre a classe média era a Praça do Papa ( o sagrado sempre entesou a humanidade), onde uma fila generosa de carros com vidros embaçados garantia o comércio de pipoca, refrigerante e otras cositas más nas redondezas. Um detalhe, já naquele tempo, me incomodava bastante e ainda é comum entre os seres masculinos: a jactância do ego pela conquista do corpo da mulher.
O menino, todo cheio de si, vangloriava-se junto aos amigos de colégio que fulana tinha "liberado o peitinho" pra ele. E a menina se achava a madre Tereza de Calcutá por ter concedido tão nobre favor ao mocinho dedicadíssimo pois, afinal, ele tinha dito que precisava de uma prova d' amor.
Ora, pipocas.
Isso de a mulher colocar seu corpo como prêmio pelo bom comportamento masculino gera exatamente a machificação da coisa. E claro, gera também uma coleção de mentiras masculinas para a obtenção do favorzinho para o alívio testosterônico.
Se pensarmos bem, vejam só, quem mais curtia a coisa era a menina, que tinha umas mãos masculinas acariciando suas sensibilidades glandulares. Para o homem, peito ou ombro são quase a mesma coisa. Em termos tácteis, a textura é diferente, claro. Mas a graça estava, como siempre, no proibido.
E a coisa seguiu assim, a mulherada se colocando como o cream cracker de premiação pelas gracinhas de rito masculino. Que preguiça, né. Vamos aí assumir a verdadeira intenção das coisas. Essas derivações são fruto do brutal dogma bíblico, que por um erro de tradução do aramaico falado para o grego escrito, propagou essa estupidez chamada valor da virgindade (feminina né?).
Com tanta necessidade de justificar reputações, criamos um código hipócrita de falsas alegações para os "pecados". Isso atrasa tudo, do exercício afetivo do amor até a tranquilidade de consciência de quem faz o que faz porque é bom fazer, simplesmente.
Aliás, cabe uma perguntinha que fiz em uma aula de catequese: Se Maria era virgem mesmo, por onde Jesus saiu quando nasceu?
Ok, deve ter sido cesariana.
Bom.
Nos mesmos anos 80, o apogeu da glória sexual dos mocinhos e mocinhas de então era a efetivação da famosíssima "mão no peitinho" da menina. Em Belo Horizonte, o lugar mais adequado para tal façanha entre a classe média era a Praça do Papa ( o sagrado sempre entesou a humanidade), onde uma fila generosa de carros com vidros embaçados garantia o comércio de pipoca, refrigerante e otras cositas más nas redondezas. Um detalhe, já naquele tempo, me incomodava bastante e ainda é comum entre os seres masculinos: a jactância do ego pela conquista do corpo da mulher.
O menino, todo cheio de si, vangloriava-se junto aos amigos de colégio que fulana tinha "liberado o peitinho" pra ele. E a menina se achava a madre Tereza de Calcutá por ter concedido tão nobre favor ao mocinho dedicadíssimo pois, afinal, ele tinha dito que precisava de uma prova d' amor.
Ora, pipocas.
Isso de a mulher colocar seu corpo como prêmio pelo bom comportamento masculino gera exatamente a machificação da coisa. E claro, gera também uma coleção de mentiras masculinas para a obtenção do favorzinho para o alívio testosterônico.
Se pensarmos bem, vejam só, quem mais curtia a coisa era a menina, que tinha umas mãos masculinas acariciando suas sensibilidades glandulares. Para o homem, peito ou ombro são quase a mesma coisa. Em termos tácteis, a textura é diferente, claro. Mas a graça estava, como siempre, no proibido.
E a coisa seguiu assim, a mulherada se colocando como o cream cracker de premiação pelas gracinhas de rito masculino. Que preguiça, né. Vamos aí assumir a verdadeira intenção das coisas. Essas derivações são fruto do brutal dogma bíblico, que por um erro de tradução do aramaico falado para o grego escrito, propagou essa estupidez chamada valor da virgindade (feminina né?).
Com tanta necessidade de justificar reputações, criamos um código hipócrita de falsas alegações para os "pecados". Isso atrasa tudo, do exercício afetivo do amor até a tranquilidade de consciência de quem faz o que faz porque é bom fazer, simplesmente.
Aliás, cabe uma perguntinha que fiz em uma aula de catequese: Se Maria era virgem mesmo, por onde Jesus saiu quando nasceu?
Ok, deve ter sido cesariana.
Falete y Mayte Martín, para esparcir el dulce embrujo.
Ouçam essa musiquinha insuperável, na interpretação de dois intérpretes do olimpo.
http://www.youtube.com/watch?v=VJKDNw6wcuk
Olé.
http://www.youtube.com/watch?v=VJKDNw6wcuk
Olé.
Assinar:
Postagens (Atom)